Bactéria deixa HC em estado de alerta
PUBLICAÇÃO
quarta-feira, 06 de setembro de 2000
Michele Muller De Curitiba 
A Unidade de Tratamento Intensivo (UTI) do Hospital de Clínicas de Curitiba, da Universidade Federal do Paraná (UFPR), está vivendo um surto de infecção hospitalar. O problema é causado por uma bactéria que não pode ser combatida por nenhum tipo de antibiótico. Nos últimos dois meses, foram registrados cinco casos de contaminação.
Por causa do surto, todos os pacientes da UTI estão internados em condições especiais desde que foi constatado o primeiro caso de infecção. Os funcionários do hospital não souberam precisar se alguém morreu em decorrência da contaminação. Uma enfermeira do HC disse ontem que a situação é crítica mas está sendo controlada pela equipe do HC.
Ela disse que não existe previsão de quanto tempo a UTI ficará sob a ameaça de infecção. A enfermeira explicou que a bactéria vive 86 dias na superfície e também pode estar no ar, e também que ela pode se reproduzir. A causadora da infecção generalizada, de acordo com ela, é conhecida como Acinectobacter Balmani Pan-Resistente.
No momento, dos 12 pacientes internados na UTI, apenas um está contaminado com uma bactéria semelhante, mas sem resistência à antibióticos. Quando a infecção é causada pela pan-resistente o organismo precisa reagir sozinho. Só que os pacientes que vêm à UTI já estão com pouca resistência imonulógica, o que os leva a um estado muito delicado, contou a enfermeira. Segundo ela, o hospital já tentou aplicar em um de seus pacientes um antibiótico trazido dos Estados Unidos, mas o medicamento não surtiu efeito.
A enfermeira avisa que o Hospital de Clínicas está tomando todas as precauções para evitar novas ocorrências de contaminação. O Serviço de Controle de Infecção Hospitalar está orientando os funcionários. Todos estão em alerta. Uma das orientações é entrada de médicos, enfermeiras e residentes na UTI com máscaras e roupas especiais. Todos os pacientes devem permanecer em isolamento até receberem alta.
No início da noite a Folha tentou falar com a diretoria e assessoria do HC, mas não conseguiu contato.


