A cada hora que passa, o problema de contaminação pela bactéria multirresistente ''Klebsiella spp'' no Hospital Universitário (HU) de Londrina ganha maiores proporções. Ontem, a Comissão de Controle de Infecções Hospitalares (CCIH) confirmou que desde o primeiro caso, descoberto em 21 de fevereiro, já chega a 16 o total de pacientes colonizados ou com suspeita de terem sido contaminados. Na última segunda-feira eram oito casos confirmados e sete suspeitos. Diante de tal situação, a CCIH admitiu ontem que não garante que pacientes que forem internados no hospital estarão livres da bactéria.
Durante entrevista coletiva ontem a coordenadora da CCIH, Cláudia Carrilho, informou que dos 16 casos apurados, 11 pacientes colonizados seguem internados na UTI e em um outro setor. Outros cinco casos suspeitos continuam sendo investigados e o resultado das análises fica pronto até amanhã. Em outra frente a CCIH avança com o trabalho de desinfecção das UTIs 1 e 2 adultas. Ontem, a UTI 2 foi desinfectada e os seis pacientes colonizados foram isolados em um outro setor. Hoje, procedimento semelhante deve ser tomado em relação à UTI 1.
No entanto, enquanto os pacientes com a Klebsiella não tiverem alta ou não liberarem os leitos, a UTI adulta permanecerá interditada e, em consequência, o atendimento no pronto-socorro (PS) permanecerá restrito. O PS continua sendo higienizado mas Cláudia adiantou que só quando não houver mais pacientes será possível concluir o trabalho. O HU não descarta ainda fazer coletas também entre os funcionários que atuam no PS e nas UTIs para apurar se alguém foi colonizado.
Na situação em que está, Cláudia reiterou à população que não procure o hospital e ao Samu e ao Siate que não encaminhem pacientes. ''Como está hoje, não há como garantir (que novos pacientes não serão colonizados), porque não temos isolamento individual no pronto-socorro'', alertou a médica. Segundo a CCIH, o atual índice de infecção hospitalar do HU está em torno de 10%. A Organização Mundial de Saúde (OMS) preconiza até 5%.
Ela também admitiu que o HU não havia comunicado até ontem os dois hospitais de Goiás, onde esteve internado o adolescente de 17 anos que trouxe a bactéria multirresistente para Londrina. Apenas ontem a Secretaria de Saúde goiana foi informada. ''O certo seria ter avisado, mas achamos que os cuidados que tomamos aqui também eram normais nos hospitais de lá. Também achávamos que iríamos conter só com o isolamento do paciente'', comentou Cláudia.
O promotor de Defesa da Saúde Pública, Paulo Tavares, adiantou ontem que vai instaurar procedimento de investigação para apurar se houve falha da CCIH do HU. Ele rebateu a informação de que só a superlotação explicaria o alastramento da bactéria. ''A situação não é tão simples assim, até porque todos os hospitais públicos do País são superlotados e não vimos notícias semelhantes'', falou o promotor.

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