Célia Baroni
De Londrina
Um tipo (cepa) raro de estafilococos está preocupando a Vigilância Sanitária de Londrina e mobilizando o departamento de epidemiologia. Comum, esta bactéria deixou um menino de 8 anos, estudante do 1º grau, gravemente doente e causou a morte de uma menina que estudava na mesma sala de aula, num espaço de cerca de sete meses. O dois contraíram a doença faceite necrotizante, um agravamento resultante da evolução da bactéria, fatal para 70% dos pacientes.
Apesar de não se poder ligar um caso ao outro – o espaço de tempo entre os dois casos é longo –, a diretora do departamento de epidemiologia da Vigilância Sanitária, médica Mara Ribeiro, afirma que o departamento está envolvido em descobrir qual a cepa da bactéria que provocou a doença. ‘‘É uma coincidência que precisa ser bem analisada. Só assim vamos saber os cuidados a serem tomados’’, explica a médica.
Mara Ribeiro lembra que há um ditado na área de epidemiologia relativo às doenças raras. Diz que um caso nunca vem sozinho. O departamento já organizou um grupo de estudos que inclui médicos infectologistas, a epidemiologia de Curitiba e uma professora que está fazendo doutorado em streptococcia. O grupo deverá definir ainda esta semana se tem condições de coletar e isolar a bactéria para descobrir o tipo e a melhor forma de prevenção.
A médica informa que ainda não se sabe se a coleta é possível e viável. Segundo Mara Ribeiro, a médica infectologista que tratou do último caso agiu corretamente fazendo uma quimioprofilaxia em todos os alunos da sala onde aconteceram os dois casos e nos parentes mais próximos das crianças. Embora a medida tenha sido certa, ela pode atrapalhar a coleta de material.
A médica tranquiliza os pais. ‘‘As crianças podem e devem voltar para a escola. Não há perigo’’, garantiu. O importante, continua, é que todas doenças (de pele, amigdalites, etc.) sejam sempre tratadas adequadamente. ‘‘Os pais devem seguir as dosagens e horários prescritos pelos médicos. Se são sete dias de medicamento são sete dias, não seis nem cinco. A desobediência ajuda criar bactérias e vírus mais resistentes aos antibióticos dificultando o tratamento’’.

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