Bactéria causa gastrite em crianças
Criança também sofre de gastrite bacteriana e está sujeita a todas as complicações decorrentes da doença; exatamente como os adultos. A responsável é da Helicobacter pylori - bactéria que provoca distúrbios no trato digestivo. O estudo comprovando a ação da bactéria em crianças de um a 12 anos de idade ganhou o primeiro lugar no 3º Congresso de Cirurgia Pediátrica Del Cono Sur, realizado no Chile de 27 a 30 de setembro.
Até agora, a bactéria era ligada principalmente a casos de gastrite em adultos. Realizado pela médica de Londrina, a cirurgiã infantil Ides Miriko Sakassegawa Sperandio, sob orientação do cirurgião infantil, Lúcio Marchese, o estudo é o primeiro da literatura mundial a abordar a ação da bactéria exclusivamente em crianças. A descoberta da bactéria é recente e todos os estudos eram direcionados para adultos e adolescentes. Acreditava-se que a bactéria não atingia crianças pequenas, esclarece a médica.
Nas crianças a ação da bactéria pode provocar o desconforto de uma dor intensa e contínua na boca do estômago, vômitos, sangramentos e dificuldade para se alimentar. Durante o trabalho a médica examinou 101 crianças que apresentavam queixas de dores abdominais e tinham indicação para o exame de endoscopia. A bactéria foi encontrada em 84% das crianças e, na maioria dos casos ficou comprovada a existência de gastrite - inflamação da mucosa do estômago. Índice igual ao das pesquisas feitas entre adultos.
A importância do trabalho, diz Ides Sperandio, está na possibilidade que ele abre para o diagnóstico correto da doença, tratamento e prevenção. A ciência já comprovou que esta bactéria provoca úlcera e pesquisas estão estudando a sua ligação com o câncer de estômago.
Ides Sperandio explica que esta bactéria é difícil de ser erradicada. O tratamento é longo, caro e nem sempre consegue eliminar toda a colônia bacteriana, afirma. Marchese e Ides Sperandio defendem que a melhor forma de combater a doença é a educação.
Marchese explica que esta bactéria entra no organismo pela via oral. Ela é transmitida de uma pessoa contaminada para outra sadia através de beijos na boca e utilização utensílios comuns como talheres e copos. As mães têm o hábito de experimentar a comida antes de dá-la aos filhos pequenos ou então colocar a chupeta na boca antes de dá-la para a criança. Não devem, se tiverem a bactéria, vão contaminar o filho, exemplifica. Não lavar bem as mãos antes de manusear o alimento também pode provocar a contaminação. Ele alerta que nem todos os portadores da bactéria apresentam sintomas, situação que dificulta o controle do avanço da bactéria. A solução é investir em campanhas educativas, reforça.
Uma vez no organismo, a bactéria se aloja no estômago, abaixo do muco que protege a parede interna da ação dos sucos digestivos (ácidos). Protegida pelo muco, ela se alimenta de detritos de comida, de restos celulares e do próprio muco. Ao se alimentar, ela libera uma toxina que irrita a parede do estômago e uma substância que dissolve o muco deixando a parede interna exposta à ação dos ácidos digestivos - provocando a gastrite.
O trabalho apresentado pela cirurgiã infantil, Ides Sperandio foi realizado com o apoio financeiro do Projeto UNI - Londrina, desenvolvido em parceria entre a Universidade Estadual de Londrina (UEL) e a Fundação Kellog. A médica e Marchese são professores da UEL. Outros dois trabalhos de professores da UEL ganharam prêmios durante o congresso. O Stents Ureterais - Uma Forma de Fixação Simplificada, desenvolvido pelo cirurgião infantil, Fernando Costa foi o 5º melhor trabalho.
O trabalho Associação de Atresia de Esôfago, Atresia de Vias Biliare, Anomalia Anorretal e Malformação Vascular recebeu o prêmio de Melhor Poster, na categoria Raridade. Marchese explica que a apresentação de trabalhos sobre casos raros é importante porque ajudam a agilizar o diagnóstico a orientam no tratamento.ReconhecimentoA médica Ides Sperandio: premiada com estudo que comprova a ação da bactéria no organismo infantilCélia Baroni





