Londrina - Uma boa notícia para as mais de 100 mil pessoas que tomam a água captada do Ribeirão Apertados, em Arapongas (37 km a oeste de Londrina). O secretário estadual de Meio Ambiente e Recursos Hídricos, Rasca Rodrigues, garantiu ontem que a bacia será transformada em área de manancial de abastecimento público. Com isso, ela deverá ser recuperada e terá seu uso (da água e do solo) limitado e monitorado pelas autoridades ambientais. A medida foi tomada após décadas de descaso e degradação da bacia que, hoje, está altamente poluída com agrotóxicos e com sua mata ciliar quase totalmente devastada.
O secretário reuniu-se ontem em Arapongas com representantes do Instituto Ambiental do Paraná (IAP), Superintendência de Desenvolvimento de Recursos Hídricos e Saneamento Ambiental (Suderhsa) e Sanepar, que integram a força-tarefa criada para avaliar as condições da bacia.

Irregularidades

Os especialistas visitaram quase todas as 300 propriedades da região e lavraram 75 autos de infração relacionados com 13 irregularidades. Entre os problemas encontrados na fiscalização estão falta de mata ciliar e ausência de terraceamento (técnica agrícola utilizada em terrenos muito inclinados), lançamento irregular de esgoto doméstico, existência de pocilgas (currais de porcos) ao lado do rio, descarte de embalagens de agrotóxicos próximo das margens, uso de venenos proibidos no País e até a apreensão de armas de fogo e armadilhas para captura de animais silvestres.
O secretário apontou que os primeiros passos - ‘’e isso são coisas que não vamos abrir mão’’ - serão a recuperação de 100% da mata ciliar e o terraceamento das propriedades usadas no plantio de grãos. Outra medida emergencial já implantada é o monitoramento da água em 13 pontos ao longo da bacia e também após a ocorrência de chuvas.

Agrotóxicos

Rasca citou a poluição por agrotóxicos como outra questão grave. ‘’O que está havendo são intervenções criminosas, como o uso de produtos proibidos, e isso é inaceitável. O uso da bacia tem que ser limitado e não mais da forma desleixada, desorganizada e sem compromisso técnico-ambiental como acontece atualmente’’, comentou o secretário.
Rasca estimou que o decreto transformando a bacia em área de manancial de abastecimento público seguirá para a assinatura do governador Roberto Requião (PMDB) até o final deste mês. Antes disso, no próximo dia 14, será conhecido o resultado das análises da água e também ocorrerá a primeira reunião da Promotoria do Meio Ambiente com os infratores. Por enquanto, segundo Rasca, há a garantia de que a água da bacia não oferece riscos à população.

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