Um vazamento grave de óleo diesel registrado no Ribeirão Jacutinga (Zona Norte de Londrina) em maio de 2002 teve o seu lado trágico mas provocou pelo menos uma atitude que deve contribuir para a melhoria das condições ambientais de uma das principais bacias hidrográficas do município. Uma comissão de especialistas da Universidade Estadual de Londrina (UEL) mapeou detalhamente os quatro maiores ribeirões que formam a Bacia do Jacutinga e diagnosticou que o ambiente sofre os impactos da urbanização e está ameaçado mas a recuperação ainda é possível. Ontem, o documento foi entegue ao Ministério Público (MP) que informou que o estudo será analisado a partir de novembro.
O desastre ambiental provocado por um vazamento na tubulação do Pool de Combustíveis fez transbordar 100 mil litros de óleo diesel diretamente no rio Jacutinga. Além de autuações, o Pool assinou em março deste ano um termo de ajuste de conduta (TAC) com o MP que exigia uma série de ações a serem realizadas para compensar os danos. Uma das exigências foi a realização do estudo na Bacia do Jacutinga, apontando as agressões ao meio ambiente e a situação dos peixes nos quatro maiores ribeirões: Jacutinga, Lindóia, Quati e Água das Pedras. Em novembro, a comissão da UEL deverá divulgar os dados para a comunidade da região.
O coordenador do diagnóstico sobre a bacia foi o PhD em Ecologia da UEL, Galdino Andrade. De acordo com ele, o estudo enumerou nascentes e identificou fontes poluidoras - indústrias, ligações clandestinas de esgoto e devastação da mata ciliar. O Ribeirão Quati é o mais degradado porque boa parte de seu trajeto está situado na zona urbana. Já no Córrego Água das Pedras, o problema é a presença de caramujos transmissores de esquistossomose (barriga d'água). ''O MP agora tem uma ferramenta importante nas mãos para tomar as providências necessárias'', observou Andrade.
O professor do Departamento de Biologia Animal e Vegetal da UEL, Oscar Akio Shibata, avaliou os peixes e identificou 34 espécies nos quatro ribeirões. Segundo o professor, os derivados de petróleo ainda poluem alguns pontos no Ribeirão Quati, por exemplo. Ele lembrou, porém, que o problema tem origem em empresas da região e não tem qualquer ligação com o Pool.
A direção do Pool informou que já foram consumidos cerca de R$ 7 milhões para cumprir o que determina o TAC. Somente o estudo da UEL consumiu R$ 1,3 milhão, incluindo na conta R$ 500 mil que devem ser investidos no reflorestamento da bacia nos próximos três anos. O Pool repassou veículo e equipamentos à secretarias municipais, direcionou verbas para ações de educação ambiental à uma ONG, realizou campanhas de esclarecimento à população, fez o monitoramento médico-sanitário da população afetada, implantou sistema de tubulação aérea na unidade, gastou R$ 1,5 milhão para construção do Jardim Botânico e construiu um centro de educação ambiental no Parque Arthur Thomas.

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