Dorico da SilvaA babosa, nome popular da Aloé vera, uma planta de origem oriental amplamente disseminada no País, ganhou destaque nacional e está se tornando uma das plantas mais procuradas para prevenção e tratamento de doenças, principalmente do câncer. Em Londrina, o Instituto Agronômico do Paraná (Iapar) vem recebendo telefonemas diários de pessoas interessadas na planta. ‘‘Elas nos procuram para saber qual o tipo de babosa citado no composto que está sendo divulgado pelo frei Romano Zago e falam sobre casos de câncer na família ou de amigos’’, conta o pesquisador do Iapar, especialista em plantas medicinais, Paulo Guilherme Ribeiro.
Dorico da Silva
O composto feito com babosa, mel e destilado (aguardente, wisky ou grappa) está seduzindo doentes com a promessa de curar de unha encravada a câncer. A receita está sendo divulgada pelo frei Romano Zago, gaúcho da Ordem dos Freis Menores (OFM), através de um livro e de palestras que ele realiza em todo o País. ‘‘A babosa é rica em propriedades. Sua principal ação é a de atuar no sistema imunológico da pessoa reforçando as defesas do organismo. Sua indicação é para prevenção de doenças’’, afirmou Frei Romano, em entrevista por telefone, concedida ontem à Folha.
Ele admite que não há pesquisas científicas comprovando a ação curativa da babosa sobre o câncer. Mas adianta que o interesse da comunidade científica pela planta é grande. Afirma que várias faculdades, principalmente na Itália, iniciaram estudos sobre a propriedade da babosa. ‘‘Contra os fatos não há argumentos’’, diz, ressaltando a eficácia da planta contra a doença.
Dorico da SilvaO frei afirma que conhece vários casos em que a utilização do composto de babosa prolongou a vida ou curou as pessoas de câncer. Cita o exemplo de Segundo Baioco Sobrinho, de Pouso Novo (RS). Diz que Sobrinho é o único sobrevivente de um grupo de 28 pessoas com o mesmo tipo de câncer, que fizeram quimioterapia. ‘‘Ele toma o composto até hoje. Conheço muitos casos iguais ao de Sobrinho’’, afirma.
‘‘Confio tanto nas propriedades desta planta que desafio qualquer hospital brasileiro ou estrangeiro especializado no tratamento de câncer a testar o preparado’’, diz. Frei Romano se prontifica a permanecer no hospital, preparando o composto diariamente para uso dos pacientes que concordarem em utilizá-lo, paralelamente ao tratamento tradicional. Ele frisa, tanto no livro quanto em suas palestras, que o paciente não deve abandonar o tratamento convencional.
Frei Romano conta que o composto não é idealização sua. Ele tomou conhecimento em 86, através de outro frei que trabalhou na região do porto marítimo do Rio Grande do Sul. ‘‘Você já percebeu a beleza disto? Um medicamento simples, quase sem custo nenhum, capaz de atacar e resolver uma doença que a ciência ainda não conseguiu dominar. Tudo isto em um país onde só quem tem dinheiro tem acesso a saúde’’, diz entusiasmado.
Preocupado em garantir o acesso fácil ao medicamento, frei Romano informou que já contratou assessoria jurídica para inibir os ‘‘atravessadores’’, nome que dá às pessoas que estão vendendo o composto já pronto. ‘‘Vender este composto é falta de humanidade. Estou divulgando a receita para que todos possam fazê-lo em suas casas, sem gastar quase nada’’, diz. Avisa ainda que, comprando o composto pronto, as pessoas estão correndo o risco de sofrerem intoxicação. ‘‘Quem vai garantir que o vendedor usou as quantidades e os produtos corretos?’’, questiona.

mockup