Azzolini Neto é ouvido na PF
Da Redação
O ex-secretário de Governo da Prefeitura de Londrina, Gino Azzolini Neto, prestou depoimento ontem de manhã na sede da Polícia Federal, no inquérito conduzido pelo delegado João Luiz do Prado que apura indícios de falsificação em Certificados de Regularidade de Situação relativa ao Fundo de Garantia por Tempo de Serviço (FGTS) das empresas Sistema Systen e Ecodata. Os documentos foram apresentados em licitações da Autarquia Municipal do Ambiente (AMA).
Azzolini Neto foi chamado para depor porque homologou uma das licitações da AMA, no valor de R$ 148 mil, vencida pela empresa Sistema System. O trabalho contratado foi para a elaboração de um plano diretor para a arborização de Londrina. Na saída da PF, Azzolini Neto não quis dar declarações à imprensa. O advogado dele, Omar Baddauy, acompanhou o depoimento e informou apenas que seu cliente não tem qualquer relação com possíveis irregularidades no contrato.
Ele apenas assinou o que a lei exige que ele assinasse, assegurou o advogado. Mas prefiro não ficar discorrendo porque explicações técnicas serão dadas na hora devida, acrescentou.
Segundo o delegado João Luiz do Prado, Azzolini Neto declarou que os processos de licitação chegavam prontos para ele homologar e que a assinatura seria apenas um ato formal. Além disso, o ex-secretário de Governo teria ficado em dúvida se a assinatura que constava na homologação era realmente dele. O motivo é que o documento apresentado a ele, na PF, é uma fotocópia. O ex-secretário também disse não saber informar se os serviços solicitados foram de fato realizados porque isso não seria competência dele.
Prado acrescentou que o trabalho da polícia ainda está em fase inicial e não quis adiantar quais serão os próximos passos da investigação. Além de Azzolini Neto, já foram ouvidas pelo delegado outras seis pessoas, entre elas o auditor do município e ex-presidente da Companhia Municipal de Urbanização (Comurb), Kakunen Kyosen, e o funcionário público Edson Alves da Cruz, o Edinho, que ocupava o cargo de presidente da comissão de licitação da AMA.
Kakunen foi ouvido por ter solicitado à Caixa Econômica Federal uma avaliação sobre a autenticidade dos documentos referentes ao FGTS das empresas investigadas. Já o depoimento de Edinho é apontado como um dos mais importantes da investigação. Ele acusou o ex-diretor administrativo-financeiro da Comurb, Eduardo Alonso, de ser o responsável pelas licitações falsificadas. O dinheiro dos contratos, disse Edinho, serviu para pagar dívidas de campanhas políticas.
Além do inquérito da Polícia Federal, a Polícia Civil, o Ministério Público e até duas Comissões Especiais de Inquérito (CEI) da Câmara de Vereadores investigam suspeitas de irregularidades na administração pública, sobretudo na AMA e na Comurb. Somente o Ministério Público investiga mais de 200 contratos, que envolvem recursos de até R$ 15 milhões.





