Lucilia Okamura
De Londrina
Gino Azzolini Neto pediu ontem demissão do cargo de diretor da Faculdade de Ciências Jurídicas e Empresariais da Universidade Norte do Paraná (Unopar), de Londrina. Ele trabalhava na instituição desde o final de fevereiro, quando havia deixado o cargo de secretário municipal de Governo. O nome de Azzolini Neto vem sendo apontado como um dos principais responsáveis pelas irregularidades cometidas na administração municipal.
O reitor da Unopar, Marco Antonio Laffranchi, informou ontem que foi procurado por Azzolini Neto por volta das 12h30. Laffranchi afirmou lamentar muito a demissão e ressaltou que ele ‘‘realizou um trabalho maravilhoso na Unopar’’.
Laffranchi lembrou que Azzolini Neto estava saindo da prefeitura e, como tinha um currículo bom, não podia deixar de convidá-lo para trabalhar na Unopar. ‘‘E, para nossa surpresa, acontece isso’’, observou. ‘‘Lamento muito e espero que não seja verdade’’, acrescentou, se referindo às acusações contra o ex-secretário de Governo.
Na carta que enviou ao reitor, Azzolini Neto confirma que o pedido de demissão foi motivado pelo caso envolvendo as irregularidades na administração municipal. ‘‘Faço-o movido pelas circunstâncias já trazidas ao conhecimento de Vossa Magnificência, que caracterizam tentativa de prejulgamento público de minha pessoa’’, escreveu. ‘‘Por esse fato algumas pessoas passaram a atribuir-me publicamente conduta que nunca assumi, com acusações infundadas, que me estão causando danos materiais e sobretudo morais de extensa gravidade’’.
O ex-secretário observou ainda na carta que as notícias veiculadas ultimamente, ‘‘tentando atribuir-me responsabilidade por atos que não pratiquei, estão trazendo para a minha vida pessoal e familiar transtornos sérios e imerecidos’’. Segundo ele, a decisão de deixar a Unopar também foi motivada para evitar constrangimento à instituição.
Azzolini Neto tomou posse como secretário em agosto de 97 e durante um ano e meio foi considerado o homem forte do prefeito Antonio Belinati (PFL). Depoimentos prestados ao Ministério Público por pessoas envolvidas nas irregularidades e que se tornaram públicas na última semana apontam duas pessoas como os ‘cabeças’ do esquema: Azzolini Neto, representando o grupo político do prefeito. e o ex-diretor administrativo-financeiro da Companhia Municipal de Urbanização (Comurb), Eduardo Alonso, representante do grupo político do deputado federal José Janene.
O MP investiga, desde fevereiro, irregularidades em contratos licitatórios realizados principalmente na AMA e na Comurb, e cujos valores giram em torno de R$ 15 milhões. Os promotores (Cláudio Esteves, Bruno Galatti e Solange Vicentin) já comprovaram que vários contratos foram fraudulentos.
A suspeita, baseada em depoimentos dados aos promotores, é de que parte dos recursos foi utilizada para pagar dívidas de campanhas eleitorais.

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