Avô é acusado de acorrentar menor
Maria Tereza Boccardi
De Foz do Iguaçu
Especial para a Folha
O pedreiro Vitorino Dias, de 61 anos, e a companheira dele, a doméstica Marisa Rodrigues Pereira, de 29 anos, foram detidos ontem acusados de manter sob cárcere privado o adolescente H.D., de 13 anos, que é neto de Dias. Conforme relato do adolescente, frequentemente ele era acorrentado pelos pés depois que o avô, a quem chama de pai, e a madrasta chegavam do trabalho, no final da tarde.
A denúncia ao Conselho Tutelar de Foz do Iguaçu foi feita anteontem por uma vizinha do casal, quando o menino fugiu de casa ainda acorrentado pedindo ajuda. Conforme a conselheira Fátima Rejane Dalmagro, o menino têm várias marcas de feridas antigas na região dos tornozelos, provavelmente provocadas por maus-tratos.
Pelo que o menino nos contou isso já acontecia há cerca de um ano. Toda vez que desobedecia o avô, era acorrentado, afirmou. Segundo a conselheira, o adolescente passará a viver em companhia da mãe biológica, Maria Dias, de 29 anos, e receberá atendimento psicológico.
Isso é calúnia. Eu só coloquei ele na corrente uma vez para ver se ficava com medo. Depois fiquei com dó e tirei, defendeu-se o avô, quando ainda estava preso na cela da delegacia. O pedreiro contou que a única coisa que pretendia era dar educação e fazer com que o adolescente não saísse de casa. Eu saio cedo e dou duro o dia inteiro para poder dar o pão. Eu sou pobre, mas dentro de casa não falta nada, disse Dias.
A companheira dele, confirmou a versão. Ele (adolescente) andou inventando coisa. Tudo o que a gente queria era manter ele dentro de casa, afirmou Marisa. A doméstica disse ainda que o menino costumava sair cedo e só voltar de noite para a casa. Faz dois anos que eu cuido dele. Por que a mãe dele nunca foi em casa para levar um copo de leite?, questionou.
A mãe do menino disse que deixou de visitar a casa do pai porque não concordava com esse novo relacionamento. Ela tomou conhecimento do que estava acontecendo pelo Conselho Tutelar. Maria afirmou ainda que o adolescente vive com o avô desde que nasceu e que ele sempre o tratou muito bem. O casal acusado foi liberado e vai responder ao processo em liberdade.





