‘‘Estava acordado e sentado, quando ouvi um barulho por trás da barraca. Em questão de segundos caiu tudo e ouvi pelo menos uns 15 tiros’’. O relato foi feito pelo fazendeiro Paulo Akira Kishino, 68 anos, no hospital da Providência, em Apucarana (norte do Estado), uma hora após ter sido liberado pelo grupo Tigre. Ele admitiu que teve medo de morrer.
Segundo Kishino, os dois sequestradores estavam deitados e quando os policiais arrancaram a cobertura da barraca, ele só lembrou de levantar os braços e gritar que era o refém. ‘‘Em meio aos tiros, fui rapidamente puxado pelo braço e arrastado no meio do mato’’, explicou o fazendeiro à Folha.
Kishino revelou que no dia do sequestro foi abordado na entrada da fazenda Boa Esperança, em Rio Bom, e levado a pé por três homens armados. ‘‘Fiquei 8 horas no meio do mato, para depois ser levado para o cativeiro, onde permanecia deitado e sentado dentro da barraca’’, informou.
Nos 17 dias de cativeiro, Kishino diz que passou muito frio, e só recebia água e conservas enlatadas como alimento uma vez por dia. ‘‘Os sequestradores me mantinham com os olhos vendados, e às vezes permitiam que tirasse a venda, mas eles ficavam encapuzados’’. Ele afirma que não foi ameaçado de morte, mas que os sequestradores permaneceram o tempo todo ao seu lado.
Kishino, que sofre de hipertensão e diabetes, chegou a avisar os sequestradores que precisava de remédios, mas não recebeu qualquer tipo de medicamento que toma de forma regular. Segundo os médicos que o atenderam, Kishino está bastante debilitado. Mas se não fosse forte, ele provavelmente não teria resistido.
Eraldo Kishino, filho do fazendeiro, que negociava com os sequestradores, confirmou que eles exigiam resgate de R$ 1 milhão. ‘‘Fomos negociando e ganhando tempo, com orientação do Itiro Hashitani (delegado-chefe do Tigre), mas a cada dia aumentava a angústia e o desespero’’, afirmou Eraldo, acrescentando que, ‘‘graças ao Grupo Tigre tudo terminou bem’’. (M.B.)

mockup