Aviões poluem ruas de Londrina
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quarta-feira, 09 de abril de 2003
Reportagem Local 
Diversas ruas de Londrina ficaram tomadas por panfletos despejados por aviões que sobrevoaram a cidade ontem à tarde. A sujeira revoltou motoristas, pedestres e vários leitores. ''Tem um palhaço num avião espalhando panfleto pela cidade toda'', reclamou por telefone uma moradora da Avenida Maringá. Nos panfletos, o anúncio de uma clínica odontológica, localizada no centro da cidade, que faz extração de dentes a R$ 5,00. No canto do material o aviso: ''Colabore com a limpeza da cidade. Não jogue papel no chão''.
A sujeira tomou conta das ruas centrais e chegou até a zona sul. A moradora da Avenida Madre Leonia Milito estava preocupada com a queda dos panfletos no fundo de vale próximo ao bairro. O árbitro de futebol José Roberto Messias não se conformou com a situação que ficou a Avenida Juscelino Kubitschek. ''As pessoas têm que boicotar essa clínica. Isso é um absurdo'', disse revoltado.
O presidente da Companhia Municipal de Trânsito e Urbanização, Wilson Sella, informou que o responsável pela propaganda infringiu o Código de Posturas do Município que permite panfletagem apenas em sinaleiros. A multa é de R$ 1 mil e pode ser reaplicada para cada ponto onde for constatada a infração. Sella ordenou que os agentes fossem verificar os locais atingidos pelo material.
O dono das aeronaves também está sujeito a multa por operar sem autorização do Serviço Regional de Aviação Civil (Serac). Segundo o coordenador de Navegação Aérea da Infraero, Carlos Alberto Souza e Silva, um helicóptero da Polícia Militar que estava na região foi usado para tentar interceptar os aviões.
Silva disse que não havia informação oficial sobre os vôos. Foram checadas matrículas das aeronaves e não havia cadastro na Infraero. O comandante está sujeito a multa e o dono da aeronave poderá ter apreendidos os documentos do avião.
O promotor de Defesa do Meio Ambiente, Claudio Esteves, disse que se ficar comprovado crime ambiental, o responsável será processado e condenado a limpar a cidade.
A Folha esteve na clínica, na Avenida São Paulo, e a secretária Suelen disse que o dono, identificado como Edson estava reunido com um advogado. Ela afirmou que desconhecia o fato de aviões estarem despejando panfletos.
No começo da noite, um homem que se identificou apenas como Cláudio ligou para o jornal e disse ser amigo do dono da clínica. Ele afirmou que o proprietário, Edson Aparecido de Souza, reconheceu que a propaganda foi negativa e que estaria disposto a ressarcir a população prestando serviço gratuito à população carente.


