Avicultores dizem ser vítimas de coação
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terça-feira, 19 de janeiro de 1999
Paulo Pegoraro 
A Polícia Civil começou ontem a investigar denúncia de produtores de frango da região de Cascavel que afirmam estarem sendo vítimas de coação de parte de representantes da Chapecó Companhia Industrial de Alimentos. Segundo a denúncia, os avicultores estão sendo orientados a retirar uma ação indenizatória por prejuízos que teriam sofrido com a desativação do frigorífico local do grupo, que tem sede em Chapecó (SC). Os avicultores solicitaram a instauração de inquérito policial por orientação da Cooperativa de Produção dos Trabalhadores Rurais do Oeste do Paraná (Cooperoeste).
Problemas envolvendo a Chapecó e seus fornecedores de matéria-prima começaram em 1996, quando cerca de 450 avicultores foram estimulados pela empresa a implantar aviários modernos, em troca da garantia de aquisição dos frangos. A seguir, os pagamentos começaram a ser feitos com atraso e foi iniciada a desativação do frigorífico, completada no final de 97 com a demissão de mais de 900 funcionários, em decorrência da crise financeira do grupo. Enquanto isso, os fornecedores acumularam dívida em bancos, contraídas para a implantação dos aviários, e ficaram sem fonte de renda.
Sem perspectiva de reativação da indústria pela Chapecó ou sua venda e depois de protestos como greve de fome, ocupação da indústria e acampamento na área externa (ainda mantido), os avicultores moveram a ação indenizatória, que ainda tramita na Comarca de Cascavel. Eles pedem individualmente indenização mínima de R$ 18 mil por perdas e danos. José Lino Bergamin, presidente da Cooperoeste, relata que nos últimos dias os avicultores passaram a sofrer coação de parte de representantes da Chapecó e da empresa Globoaves, de Cascavel, interessada na compra ou arrendamento da indústria.
Cinco avicultores que assinaram o pedido de inquérito policial declararam ter recebido ameaças, como a de que, se não desistirem da ação indenizatória, não mais receberão pintainhos para engorda e seus frangos não serão adquiridos, quando o frigorífico for reativado.
Os representantes das empresas agiriam em nome de Genésio Garbin, superintendente da Chapecó, e de Roberto Kaefer, dono da Globoaves, que negam envolvimento na questão. Para José Lino Bergamin, a coação soa claramente como grave ameaça contra pessoas humildes, e é um crime contra o direito à busca de justiça.
A Cooperoeste está alertando seus associados para que não desistam da ação indenizatória em função das pressões, porque se o fizerem estarão renunciando ao direito de receber pelos prejuízos que lhes foram causados. Segundo Bergamin, o caso pode revelar também uma conspiração contra a mobilização dos avicultores, divindindo-os para que sua entidade representativa perca força.
O inquérito policial está sendo conduzido pelo delegado Nobuo Nagase. A base legal para a denúncia é o artigo 344 do Código Penal, que trata de coação no curso do processo, punível com até 4 anos de reclusão.


