Avião 'pé vermelho' levanta vôo em julho
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sexta-feira, 02 de fevereiro de 2007
Wilhan Santin<br>Reportagem Local 
O dia 23 de outubro de 1906 entrou para a história da humanidade. Nessa data o brasileiro Alberto Santos Dumont fez o seu 14 Bis voar. Pela primeira vez o homem levantava vôo com um aparelho mais pesado que o ar. Naquele dia, Santos Dumont realizou seu sonho de criança, que era sentir a sensação de liberdade transmitida pelos pássaros que ele observava.
Um século depois, a aviação evoluiu e passou de sonho a arma de guerra e meio de transporte. Mesmo assim, o sonho de sentir liberdade e construir aviões continua fazendo parte da vida de muitas pessoas.
É o caso de um londrinense, o advogado Gilberto Pedriali. Apaixonado por aviação desde criança, ele começou colecionando e construindo aeromodelos, miniaturas de aviões guiadas por controle remoto, depois se tornou piloto de ultraleve e agora está construindo seu próprio avião, um monomotor de classe experimental, do modelo KR 25.
Para ajudá-lo nessa empreitada, Pedriali convocou o marceneiro João Taiep, companheiro de várias construções de aeromodelos. Aos poucos, a dupla vai dando forma à aeronave que deve voar pela primeira vez em julho. Segundo o advogado, construir pela primeira vez um avião não está sendo muito difícil.
''A experiência adquirida em várias construções de aeromodelos ajuda bastante. Além disso, o projeto de construção da aeronave, feito pela empresa americana Rand Robinson Engineering, é muito prático e com diversas intruções que facilitam o nosso serviço'', garantiu Pedriali.
No entanto, para quem observa o marceneiro Taiep trabalhando durante alguns minutos, construir uma aeronave não parece tão simples. Com uma espécie de régua eletrônica, ele mede com muito cuidado cada peça do avião que vai tomando forma e também verifica se todas as partes das duas asas estão rigorosamente no mesmo nível.
''Para quem estava acostumado a fabricar móveis, construir um avião é uma experiência diferente; esse aqui vai ser o meu primeiro 'filho'. Meus amigos dizem que não vai sair do chão, mas eu tenho certeza de que vai dar certo e espero me tornar construtor de aviões'', explicou o marceneiro, que já tem mais dois fregueses, amigos de Pedriali, na fila de espera pelos seus serviços.
Toda a estrutura desse avião ''pé vermelho'' está sendo feita em madeira frejó, ideal para esse tipo de projeto por ser leve e resistente. Depois, essa estrutura vai receber revestimento de fibra de vidro.
O motor será o mesmo usado nos famosos automóveis utilitários Kombi, que tem 1,6 mil cilindradas de potência e vai ser adaptado para 2,2 mil cilindradas. Depois de pronta, a aeronave vai pesar em torno de 200 quilos e pode atingir a velocidade de 300 Km/h. O tanque de combustíveis, com capacidade para 60 litros, garante três horas de vôo. Sobre o valor gasto para construir um avião desses, o advogado preferiu não revelar, mas, segundo ele, é bem menor do que o preço da mesma aeronave pronta, entre R$ 80 mil e R$ 100 mil.
Pedriali é habilitado na categoria de piloto de ultraleve desportivo e para pilotar seu avião vai passar por um novo curso e se tornar piloto recreativo. Ele diz que a aeronave que está sendo contruída em uma marcenaria de Londrina vai passar por todos os procedimentos técnicos que garantem a segurança.
''Quando o avião estiver pronto, vai passar pela supervisão de um engenheiro aeronáutico, o qual vai emitir um laudo técnico. Essa laudo é encaminhado junto com o certificado da empresa que fez o projeto e a planta da aeronave para o Departamento de Aviação Civil. Somente se tudo estiver correto será permitido o registro do avião'', explicou.


