Marcos Negrini




PeríciaO Cesnna 182 se arrastou por 80 metros num terreno vazio antes de quebrar o trem de pouso; o piloto e proprietário Jonas Lourenço de Lima tirou brevê há um ano

O avião Cesnna 182, prefixo PT WFW, fez pouso forçado ontem na periferia de Maringá, minutos depois de decolar do aeroporto Gastão Vidigal, por volta das 8h30. O piloto e proprietário do aparelho, Jonas Lourenço de Lima, estava sozinho e não sofreu ferimento. Ele ia para Presidente Epitácio, a pouco mais de 45 minutos de vôo de Maringá. O avião pousou em um loteamento ao lado do Jardim Pinheiro, zona norte da cidade, e se arrastou por 80 metros antes de quebrar o trem de aterrisagem. O bico do aparelho afundou na terra e o avião partiu-se ao meio.
O piloto disse à Folha que fez todos os procedimentos de checagem da aeronave antes de decolar, inclusive com a ajuda de outros pilotos. ‘‘O aparelho não apresentou nenhum problema. Quando estava a 500 pés (cerca de 150 metros) na cabeceira da pista, o motor apagou’’, disse. Ele acrescentou que não tinha altura suficiente para retornar para um pouso na pista do aeroporto e planou até localizar uma área segura para descer.
O terreno onde o avião pousou fica a cerca de três quilômetros da cabeceira da pista e depois de um conjunto de prédios. O aparelho parou a menos de 100 metros de linhas de transmissão de energia e a cerca de 150 metros de residências.
Apesar dos estragos no avião, Lima conseguiu sair do aparelho consciente. ‘‘A preocupação imediata era de evitar a aproximação de pessoas porque os tanques de combustível estavam quase cheios’’, disse o piloto. O modelo tem capacidade para cerca de 180 litros. Os bombeiros, que chegaram em poucos minutos ao local, resfriaram o motor e parte da fuselagem com espuma química. O avião, avaliado em US$ 55 mil, não tinha seguro. Lima disse que apenas um laudo do Departamento de Aviação Civil (DAC), pode esclarecer o que aconteceu com o aparelho.
Lima trabalha na Fundação de Desenvolvimento Social de Maringá e tem o brevê de piloto há apenas um ano. Ele disse que comprou o avião em agosto do ano passado, mas o DAC só liberou o aparelho para voar em dezembro. Muito chocado, ele chorou quando narrava o pouso forçado do avião. Pilotos mais experientes que estavam na área do acidente ontem ficaram impressionados com a perícia e a sorte de Lima.

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