Maurício Borges
De Arapongas
O monomotor, prefixo PT-DSH, pilotado por Marcelo Scheffer Vargas, caiu ontem, às 12h25, sobre uma residência, na Vila Sampaio, em Arapongas (28 km a oeste de Londrina). Na hora do acidente, a dona da casa Marlene Lourdes da Silva Dias, 44 anos, estava fechando a porta da cozinha para sair, em companhia de duas irmãs e uma sobrinha.
Segundo Marlene Dias, foi um susto terrível. ‘‘O avião bateu na caixa d’água e depois atingiu o teto, invadindo e destruindo toda casa’’, contou. ‘‘Pensamos que tudo ia explodir, nem sabíamos o que estava acontecendo.’’
Na queda, o avião partiu-se em vários pedaços e o bico da aeronave ficou no interior da sala. Bombeiros estiveram no local para esvaziar o tanque de combustível, evitando, assim, um incêndio.
O piloto foi retirado consciente e encaminhado ao Hospital João de Freitas. Segundo boletim médico divulgado às 19h30, ele foi submetido a cirurgias e estava internado em estado grave na Unidade de Terapia Intensiva (UTI).
Das quatro pessoas que saíam da residência, apenas a irmã da dona de casa, Ivanilde Lourenço da Silva, 43 anos, sofreu ferimentos. Ela foi atingida na cabeça por blocos da laje de concreto que foram deslocados na queda da aeronave. Uma tomografia computadorizada não constatou qualquer gravidade no ferimento, mas a paciente permanece internada em observação no Hospital João de Freitas.
A perícia para investigar e esclarecer as causas do acidente deve ser realizada hoje por técnicos do Departamento de Aviação Civil (DAC), que virão do Rio de Janeiro. Até a chegada dos técnicos, o local do acidente ficará isolado e com policiamento.
Populares e pilotos de aviação civil comentavam que a provável causa do acidente tenha sido a imprudência de Vargas. Denúncias encaminhadas, inclusive a emissoras de rádio locais, dão conta que há três dias o monomotor estava fazendo evoluções acrobáticas sobre a área urbana de Arapongas.
Um piloto civil, que preferiu não se identificar e que observava ontem as evoluções do avião, disse que o piloto deu uma rasante, seguida de uma puxada e uma curva fechada, para tentar voltar. Depois ele deu mais uma rasante. ‘‘A manobra foi muito radical e perigosa, considerando que a altitude mínima para sobrevoar uma área urbana é o ponto mais alto da cidade – cerca de 300 metros de altitude’’.
Vivien da Costa, que presta serviço para uma empresa de aviação no aeroporto de Arapongas e é credenciada pelo Sistema de Prevenção de Acidentes Aeronáuticos (Cipaer), esteve no local do acidente e disse que, aparentemente, não houve falha mecânica. ‘‘O piloto, pelo que sabemos é habilitado e muito bom, mas quem irá dar o parecer final são os técnicos do DAC.’’
Com relação à aeronave, PT-DSH, ela adiantou que não é credenciada para este tipo de atividade comercial – o piloto prestava serviço para empresa de fotos aéreas. A Folha tentou ontem ouvir o proprietário da aeronave e da empresa União Produções, Mauri Silvério dos Santos. Familiares informaram que ele estava deslocando-se de União da Vitória para Arapongas.Monomotor era pilotado por Marcelo Vargas, internado em estado grave no hospital. Moradora também ficou ferida
Fotos: Odair StraliottDESTRUIÇÃO E SUSTOO avião partiu-se em vários pedaços e o bico da aeronave ficou na sala. Na hora do acidente, Marlene Dias estava fechando a porta para sair. ‘‘Pensamos que tudo ia explodir, nem sabíamos o que estava acontecendo.’’

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