Aves saudáveis e legalizadas
Para participar das competições, as aves precisam estar legalizadas junto ao Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama) e bem tratadas. Como dizem os criadores e expositores, para terem "fibra" e cantarem mais, os pássaros precisam estar saudáveis. Os cuidados envolvem desde a criação em um local apropriado - com espaço para bater asas -, dieta diversificada composta por frutas, legumes e sementes a banhos e exames periódicos, explica o veterinário e responsável técnico da Associação, Rodrigo Gonçalves Chaves. "As aves são como atletas e exigem preparação", diz. Aquelas com problemas motores e anomalias não podem competir.
Mas quem leva pássaros para os torneios também tem que contar com a sorte. "Se estiver ao lado de um pássaro que não considera concorrente (na conquista da fêmea), não vai cantar", explica Claudiney Forim da Silva, que participa há muitos anos de torneios de canto e já conseguiu um segundo lugar em uma competição estadual.
Segundo Forim, um pássaro vencedor chega a custar R$ 200 mil. E um destes chegou a cantar 259 vezes em 15 minutos em um torneio em Maringá. "Quando um pássaro canta de 200 vezes para cima, este é top." Silva ressalta, entretanto, que não podem participar das competições aves que foram retiradas da natureza.
Representante comercial de um laboratório que faz exames para criadores, Danilo Cavichioli apoia os torneios e frisa que estes eventos estimulam a criação de aves em cativeiro, o que, segundo ele, ajuda a salvar diversas espécies da extinção. "Estamos preservando a espécie", garante.
Criador experiente, o empresário Demair Souza concorda. "Estamos quebrando um paradigma", diz, já que, segundo os competidores, ainda há muitos que pensam que os torneios envolvem aves ilegais. "São aves criadas em cativeiro. Há muitas espécies em extinção. Estamos mantendo estas espécies e deixando de tirá-las da natureza. E elas interagem com a gente, a gente chama e elas respondem. A gente se dedica bastante."(M.F.C.)





