Aves exóticas procriam em cativeiro
Emerson Dias
De Foz do Iguaçu
Especial para a Folha
O Parque das Aves, localizado próximo à entrada do Parque Nacional do Iguaçu, em Foz do Iguaçu, é o primeiro zoológico do Brasil a tentar a reprodução do casuar, ave exótica originária da Papua Nova Guiné, país da Oceania. É a primeira vez que esses animais estão pondo ovos em cativeiro. Na estufa do parque, três ovos com aparência bastante exótica verdes e com pintas acinzentadas estão recebendo cuidados especiais dos biólogos.
A ave atrai a atenção dos turistas pelo seu visual rústico, que lembra animais pré-históricos. Muitos visitantes acham que o casuar possui pêlos no lugar de penas e que o chifre, localizado na região frontal da cabeça, indica uma ligação remota entre aves e mamíferos.
A bióloga e responsável pelo parque, Márcia Cziulik, confirma que realmente a crista da ave possui composição química semelhante aos chifres de bovinos, mas lembra que a plumagem, apesar de extremamente fina, é composta realmente por penas. Quanto à rusticidade, podemos dizer que ela é, junto com o Avestruz, uma da aves mais antigas do planeta, disse.
Outro pássaro que dificilmente se reproduz em cativeiro é o grou-coroado. Conhecido pela sua crista em forma de leque, a ave tem como habitat as regiões pantaneiras das florestas africanas. Mesmo assim, ele está se adaptando muito bem ao Paraná, tanto que uma fêmea botou três ovos, que são cuidados no ninho pelo macho. Além dos casuares e grous, o Parque das Aves também é pioneiro na reprodução de tucanos.
Um dos nossos grandes objetivos para este ano é conseguir filhotes do papagaio-da-cara-roxa, uma das espécimes que já corre grande risco de extinção, revelou Márcia, lembrando que essa ave, típica das ilhas litorâneas do Paraná, onde vivia em grandes bandos, possui hoje pouco mais de 3 mil exemplares no País.
O Parque das Aves conta com cerca 160 espécimes de aves, além de um borboletário e uma nova área, inaugurada em abril do ano passado, onde estão expostos répteis, como cobras e jacarés. Todos os animais silvestres que estão no parque vieram de outros zoológicos ou foram encontrados feridos ou ainda filhotes, depois de perderem a mãe em caçadas ilegais realizadas na região.
Chuveiros Os técnicos do Parque das Aves instalaram chuveiros nos viveiros dos animais para amenizar o calor que atinge a região oeste do Estado, onde a temperatura média dos últimos dias foi de 36 graus. A maioria das espécimes que vivem no Parque da Aves de Foz é típica das florestas tropicais, onde a temperatura é elevada e as chuvas de verão, constantes.
A seca dos últimos meses tem afetado o comportamento dos animais. O calor não chega a oferecer risco à vida das aves, mas pode estressá-las a ponto de prejudicar o acasalamento e a reprodução, fase que começa a acontecer na virada do ano, explica Márcia Cziulik.
As duchas são cofeccionadas com canos comuns de PVC. Depois de conectados um ao outro, os canos são perfurados com pequenos cortes em linha reta, onde a água sai em forma de leque, espalhando uma chuva fina, semelhante a garoa.
Como os chuveiros estão instalados nos pequenos e grandes cercados, a chuva artificial acaba molhando também os visitantes do parque. Mesmo assim, os turistas não se incomodam. Neste calor de Foz, receber uma ducha até que é bom. Faz a gente ficar mais animado e prosseguir no passeio, disse um turista carioca.Além de casuares e grous-coroados, o Parque das Aves, em Foz do Iguaçu, também é pioneiro na reprodução de tucanos
Ney de SouzaArquivo FolhaNey de SouzaCasuar, originário da Nova Guiné, pela primeira vez no país a ave põe ovos em cativeiro: a espécie possui chifre e penas parecidas com pêlos; a fêmea (à direita) é um pouco menor e tem coloração diferente. O grou-coroado (ao lado) macho é quem choca os ovos





