Aventureiro faz 14 mil quilômetros de fusca
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quarta-feira, 27 de setembro de 2000
Israel Reinstein De Curitiba 
Catorze mil quilômetros dentro de um Fusca. Esta foi a aventura do piloto de aviação comercial Sérgio Zurawel, 49 anos, que saiu de Angra dos Reis, Rio de Janeiro, rumo à Província de Ushuaia (Sul da Argentina), onde fica a Terra do Fogo. Ontem, Zurawel esteve em Curitiba, para visitar a radioamadora América Almeida, e agradecer a ajuda que ela deu durante todo o trajeto.
A minha viagem foi motivada em uma frase: um carro comum, um mês de férias e um homem simples pode sonhar..., afirmou. Zurawel contou que começou a planejá-la há um ano. Queria fazer algo diferente, que não fosse pelo ar ou mar, disse o piloto, que vive em um veleiro em Angra dos Reis. A escolha por Ushuaia aconteceu por três motivos: porque Sérgio Zurawel queria conhecer a Península Valdez, onde se acasalam as baleias; percorrer o rio congelado El Calafate, o Glacial do Perito Moreno; e ver o extremo das américas ou o fim do mundo, que é a Terra do Fogo.
Para alcançar esse objetivo, o piloto passou a ajustar o seu Fusca. Ano 1996, o carro teve seus bancos traseiros e o do passageiro da frente retirados. No lugar deles, foram criadas compartimentos para armazenar de rodas com correntes, destinadas para neve, até um pelego, usado sobre a pequena cama. Em um espaço de dois metros, o piloto, que mede 1,84 metro, dormia.
Ele contou que viveu momentos de perigo, quando derrapou duas vezes na estrada com neve, quase saindo da rodovia. Outra vez, ele ficou atolado na neve, ao desviar de um carro que de repente apareceu em sua pista. O piloto contou que vivenciou momentos emocionantes, como ao transitar por estradas que passavam pela montanha, ao lado de um precipício.
Sérgio Zurawel disse que o seu contato com os amigos era feito por América Almeida. Todos os dias, eles tomavam o chá das cinco, onde se comunicavam via rádio. Dona América, com é conhecida, está acostumada a ajudar os aventureiros, auxiliando pessoas como o navegador Amyr Klink. Ela me passava a informção do Brasil e de amigos, disse. E no final sempre se despedia com um aviso: Vê se cuida, menino!
O piloto agora pensa em estender a sua próxima aventura para quatro meses. Ele quer ir de Angra dos Reis até o Alasca, nos EUA.


