Aventuras marcam as viagens do veleiro Yaya pelos oceanos
PUBLICAÇÃO
sábado, 11 de outubro de 1997
Curitiba 
O gato das crianças desapareceu no Taiti; o cachorro está na França. Em meio a tantas viagens, as histórias são muitas.
A caminho do Taiti, atravessando o Oceano Pacífico, estavam pescando de corrico (isca na ponta de uma linha arrastada pelo barco em movimento) quando sentiram a fisgada. Philippe começou a recolher a linha com dificuldade, quando de repente ela ficou leve. Grudada no anzol, uma gigantesca cabeça de atum - o resto do corpo havia sido abocanhado, de uma só vez e alguns instantes antes, por um peixe ainda maior. Só a cabeça do atum levou dois dias para ser comida. Imagine o tamanho do outro peixe, lembra o navegador.
Monique, de 11 anos, já chegou a frequentar a escola, na Nova Caledônia, durante uma das estadias mais longas da família, e gostou. Quando se compara a outras meninas de sua idade, consegue apontar as vantagens de seu estilo de vida (poder viajar, viver em um ritmo sem tantas obrigações e horários), mas identifica com dificuldade as desvantagens. Não poder estar com os amigos que fiz é ruim, diz.
Para manter o sustento da família, Philippe depende basicamente da venda de suas esculturas e quadros. Algumas grandes encomendas, que levam meses para serem executadas, contribuem para engordar o orçamento doméstico. Na Polinésia, ele esculpiu certa vez um Cristo de quatro metros de altura para uma igreja da região. No Brasil, contou com a ajuda da Federação Paranaense de Vela Oceânica para exibir suas obras menores em Curitiba, e graças a uma palestra que fez, a convite da mesma entidade, acabou recebendo dezenas de encomendas. Em maio do ano que vem estaremos de volta, prometem. As encomendas serão entregues, recheadas de mais histórias. (M.C.S.)


