'Aventura' perigosa nos pontilhões
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terça-feira, 04 de setembro de 2007
Luciano Augusto<br> Reportagem Local 
A queda de um menino de 13 anos de um viaduto na manhã de segunda-feira, no Conjunto Milton Gavetti (Zona Norte de Londrina), expôs uma situação que quem mora próximo à linha férrea conhece muito bem. Moradores ouvidos pela FOLHA contaram que é comum ver crianças ''brincando'' na mureta de uma das passarelas construídas no bairro. A ''aventura'' acontece a mais de cinco metros de altura.
Dona Conceição Ivo, 76 anos, reside há 22 anos na esquina da avenida Humberto Puigari Coutinho, bem em frente à passarela e se arrepia só de lembrar das ''brincadeiras'' que a molecada apronta na ida para as aulas ou no retorno para casa. ''Eles sobem na mureta e andam de um lado para outro'', contou a moradora. Ela disse que normalmente são crianças ''com 10, 11, 12 anos'' as que mais se arriscam.
Conceição disse ainda que a ''brincadeira'' ficou mais frequente nos últimos anos. ''Antes a gente não via isso. Agora, os meninos não têm juízo e quando a mãe e o pai saem para trabalhar eles ficam por aí fazendo coisa errada'', comentou. Uma outra moradora da avenida, que preferiu não se identificar, confirmou a situação e lamentou que, sozinha, pode fazer bem pouco. ''Às vezes quando eu vejo, chamo atenção. Alguns respeitam e descem mas outros até xingam a gente'', apontou. Segundo ela, alguma providência precisa ser tomada logo, ''antes que aconteça uma tragédia'' porque os mesmos garotos também aproveitam a baixa velocidade dos trens no trecho para pegar carona.
O mesmo alerta foi feito pela mãe do menino de 13 anos que caiu de uma altura de sete metros na manhã de segunda-feira. O viaduto onde aconteceu o acidente fica a poucos metros da passarela. Ontem, a mãe contou que o menino estava acompanhado de um irmão de 12 anos e de um outro amigo, que ela ainda não sabe quem é. ''Eles falaram que uma raquete de tênis que eles tinham caiu na linha do trem. O meu filho de 12 estava descendo para pegar quando viu o irmão caindo sobre a linha. Ele disse que arrastou o irmão, bateu no rosto dele e gritou até que ele falasse o nome dele'', detalhou a mãe. O filho disse para ela que pensou que fosse morrer. ''Ele falou que estava vivo por Deus, porque passou raspando em umas pontas de ferro que ficam embaixo da ponte'', completou.
O garoto continuava internado na pediatria do Hospital Evangélico até o final da tarde e não havia previsão de alta. Segundo a mãe, o menino está em choque, reclama de muitas dores, não consegue andar e vai fazer mais exames para apurar uma suspeita de descolamento de um osso da bacia.
A assessoria da América Latina Logística (ALL), responsável pela malha ferroviária que corta Londrina, informou que em áreas urbanizadas são bastante comuns os registros de ''carona'' nos trens mas ressaltou que ''trata-se de uma questão cultural''. Por isso, a empresa apontou que desenvolve programas educativos sobre o assunto focando, principalmente, crianças e adolescentes.


