Mato alto, cercas de arame farpado, longas subidas, percurso pela água e até mesmo um enxame de abelhas foram as dificuldades impostas aos quase 300 atletas que participaram, ontem em Ibiporã (Norte), da segunda etapa do Circuito Pro Adventure de corrida de aventura. Para um dos aventureiros, entretanto, os obstáculos não foram tão complicados de transpor quanto o tratamento contra o câncer, enfrentado há pouco tempo.

Nelson Balan, um empresário de 55 anos que estreou na modalidade na etapa de Ibiporã, passou a praticar esportes depois do diagnóstico da doença. Após duas cirurgias no intestino e fígado, ao invés de render-se aos efeitos colaterais da quimioterapia, ele resolveu agregar a corrida ao tratamento. E, afeito a desafios, inscreveu-se no Pro Adventure justamente na categoria mais competitiva, para testar os próprios limites.

''Não podia 'jogar a toalha', por isso, agreguei o esporte ao tratamento. Os resultados foram muito positivos'', contou o competidor, que venceu o câncer e atualmente faz controle periódico da doença a cada 90 dias. ''Podia ficar em casa vendo TV e me lamentando, mas prefiro os desafios.''

Entusiasmado com a adrenalina da competição, Balan revelou que pretende continuar participando das corridas. ''Vou investir em equipamentos adequados e estudar melhor as próximas provas'', disse. Para ele, não há melhor hora ou idade para iniciar a prática esportiva. ''Sinto-me muito bem e não pretendo parar tão cedo.''

Primeiro lugar

No pódio da categoria Aventura Light, destinada aos iniciantes, o primeiro lugar foi ocupado pelo representante comercial Cilmar Nogueira, 33, e o policial militar rodoviário Fabio Luiz de Oliveira Lopes, 36.

Integrantes de um grupo de ciclistas que praticam mountain bike aos finais de semana em Londrina, eles decidiram participar do circuito com o objetivo de ficar entre os primeiros colocados. A vitória, porém, foi uma surpresa. ''Achamos que o percurso seria mais leve. Na próxima etapa queremos competir em uma categoria avançada'', planejam.

Com bom preparo físico, os dois creditaram a vitória também à boa estratégia na interpretação do mapa. ''Conhecíamos a região porque costumamos pedalar por aqui, mas não prestávamos atenção aos detalhes citados no mapa. Agora vamos nos preparar para melhorar ainda mais a interpretação'', disse Nogueira.

Outro projeto é investir no treinamento específico com bicicleta para fortalecer as pernas. Adeptos da aventura ao invés dos programas dominicais em frente à TV, os dois atletas afirmaram que não é preciso ser profissional para participar ods circuitos. ''O mais importante é deixar a preguiça de lado e sair para se exercitar'', aconselharam.

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