Aventura no prédio inacabado
Fotos Dorico da SilvaESCALADA PERIGOSAGrupo de estudantes aproveita ‘carcaça’ do edifício de 10 andares para improvisar o rapel: tipo de alpinismo mais comum em cachoeiras e paredões naturais

Lino Ramos
De Londrina

As cordas diminuem a distância e susbtituem o elevador na descida do 10º andar em um dos prédios da Avenida Madre Leônia Milito, deixados pela metade com a derrocada da Construtora Encol. A vizinhança vê e assusta.
Universitários de mais coragem que juízo se prendem em cordas para a descida ao ar livre pelos 30 metros de parede na prática do rapel, uma modalidade de alpinismo mais comum em cachoeiras e paredões naturais.
Nada melhor que matar aula numa escura noite de chuva para sentir um pouco de adrenalina. Jason Gomes, 19 anos, afirma que já esteve com os amigos na reserva do Apucaraninha, em Tamarana (62 km ao sul de Londrina) e no Buraco do Padre, em Ponta Grossa. Mas como o prédio é perto de casa não custa avançar pela ladeira de concreto armado.
Ele alerta, porém, que o esporte radical precisa de técnica e material profissional. ‘‘Tenho medo de morrer e só desço porque amarrei a corda e o equipamento é meu. Aí boto 100% de segurança’’.
Nada melhor que uma noite cavernosa para o ritual de iniciação: Helena, 21 anos, e Ana, 20, estudantes universitárias foram lá no prédio moribundo experimentar o rapel. Eles não quiseram dar o nome completo. ‘‘Você tem medo, mas a partir do momento que sai da janela e tem a segurança da corda, se sente segura’’, diz a primeira. ‘‘ Não consegui olhar pra baixo’’, emenda a segunda. Fabiana, de 20 anos preferiu não arriscar e só tentou ver a movimentação no escuro.
Elton Carvalho, 18 anos, reforça que o rapel precisa de técnica e preparo. ‘‘Só quem tem curso especializado pode fazer rapel’’. E lembra que o alpinismo é o esporte que mais mata no mundo. ‘‘Se um parente meu quiser começar nesse esporte, não deixo que seja aqui’’.
Mas se você está pensando em pular do prédio, por que não tenta primeiro um instrutor de rapel?

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