Aventura exige preparo técnico e saúde perfeita
A aventura parece realmente tentadora. Contato com animais, natureza exuberante e a chance de fazer novas descobertas na área das pesquisas biológicas. Mas se engana quem pensa que para ir à Antártida basta comprar uma passagem.
Para fazer parte do Programa Antártico-Brasileiro é preciso passar primeiro por uma batelada de testes e exames. A primeira fase é a do chamado adestramento. Ele é feito pela Marinha para preparar as pessoas sobre o comportamento que elas devem ter na Antártida, explica Edith Fanta. Existe um código que determina isso, para que não se tenha grandes impactos sobre o meio ambiente. O currículo inclui, além do conteúdo teórico, aulas de alpinismo, uso de botes no mar e principalmente, de segurança pessoal. Coisas que a gente não costuma ter muito contato, conta a coordenadora do Geia.
O processo leva de duas a três semanas e é feito na Restinga de Marambaia, no Rio de Janeiro. Depois vem a fase dos exames médicos. Ninguém põe os pés nas terras geladas da Antártida, se não estiver perfeitamente saudável.
O viagem até lá é feito de duas maneiras: pelo navio de apoio oceanográfico Ary Rongel, ou através dos aviões Hércules, cedidos pelo apoio da Força Aérea Brasileira.No navio, explica Edith, a viagem dura cerca de três semanas. Tudo depende do mar e das tarefas que o navio terá que executar durante o percurso. Ele também transporta todo o material que as equipes de pesquisa vão usar na estação.
Mais rápido, o avião transporta apenas os pesquisadores até a estação chilena Frei, localizada na Ilha do Rei George. Lá um outro navio ou avião faz a ligação final até a Comandante Ferraz.
Estrutura - Inaugurada em fevereiro de 84, a estação brasileira começou com apenas cinco módulos. Hoje, já são 64, incluindo desde os alojamentos, até a área de apoio, vivência e laboratórios. O tempo de trabalho lá é muito curto, esclarece Edith. Por isso, a estação tem toda a infra-estrutura necessária para que se possa aproveitá-la da melhor maneira possível.
A temperatura no verão, que vai de dezembro a março, período em que vão a maioria dos pesquisadores paranaenses, varia de 1 a 2 graus positivos até 20 negativos. Durante pelo menos um mês, há luz do sol nas 24 horas do dia para o trabalho de pesquisa. Na realidade, explica Edith, todo o progama antártico está estritamente amarrado às estações do ano.





