Uma picape, sede de aventura e muita disposição. Munida com esses ingredientes, uma família de Londrina embarcou em uma viagem de 21 mil quilômetros, realizada em duas etapas, pela América do Sul. O professor Vivaldo Aparecido Noceti, 47, a advogada Marly Aparecida Pereira Fagundes, 47, e os filhos do casal, Rodrigo, 16, e Rodolpho, 11, integram a equipe de aventureiros. O meio de transporte: uma picape Ranger Storm 2004, cabine dupla, de tração 4 x 4 movida a óleo diesel. Os destinos: Deserto do Atacama, no Chile; e Ushuaia, a Terra del Fuego, na Argentina, a última cidade da América do Sul.
Os Fagundes Noceti começaram a chamada Expedição América em julho de 2004. Em 11 dias, percorreram seis mil quilômetros para ir e voltar de São Pedro do Atacama, no Chile, onde fica o famoso deserto. Para viabilizar a aventura, eles compraram e equiparam a Ranger com capota e estrutura para emergências, o que inclui fogão, louça, comidas enlatadas e colchões. ''Em um dia, percorremos mil quilômetros'', contou a advogada.
Veteranos na estrada, decidiram encarar um desafio maior no final de 2004 e começo de 2005. Com o objetivo de chegar à cidade mais austral do mundo, eles andaram 15 mil quilômetros no percurso entre Londrina, Ushuaia e a volta para o Brasil. A viagem foi realizada de 21 de dezembro a 21 de janeiro.
No roteiro, maravilhas naturais do Chile e da Argentina. Vulcões. geleiras, lagos, desertos, os animais marinhos da Patagônia e a famosa Cordilheira dos Andes compuseram a paisagem apreciada pelos viajantes. ''A gente se emociona quando vê as belezas da natureza'', disse Marly, que se encantou com as cores, frutas e flores chilenos. ''Em Ushuaia, a noite dura uma hora'', contou. Entre as cidades visitadas, as capitais Buenos Aires (da Argentina), Santiago (do Chile) e a estação de esqui de Bariloche merecem destaque.
A aventura rendeu episódios emocionantes. No caminho para a Terra del Fuego, os viajantes de Londrina rodaram 800 quilômetros sem encontrar um posto de combustível no trajeto. ''Nos últimos 40 quilômetros até Comodoro Ravadavia (Argentina), orientados por um guarda, descemos engatados para economizar diesel'', contou Vivaldo, o único motorista de toda a viagem. Segundo ele, fora das grandes cidades, a baixa densidade demográfica da Argentina é impressionante.
O trecho de 1,2 mil quilômetros de rípio (estradas de terra) também surpreendeu a família, que chegou a dormir na picape durante cinco noites por não encontrar hospedagem em alguns locais visitados. Nos outros dias, eles pernoitaram em hotéis, pousadas casas de família e cabanas (chalés). As refeições eram feitas em restarantes ou através de lanches comprados em supermercados. ''Para quem vai dirigir, é melhor comer pouco durante o dia e caprichar no jantar'', recomendam.
Outra dica importante para viajantes que planejam se aventurar pela América do Sul é se identificar como brasileiros nos locais de hospedagem. A revelação visa garantir economia. ''Eles praticam preços diferentes para brasileiros, norte-americanos e europeus'', comentaram.
A aventura da família Fagundes Nonati não terminou. Em julho, a Expedição América volta à estrada com destino a Macchu Picchu, no Peru, com passagem pela Bolívia e Equador. A distância é de quase nove mil quilômetros. Em seguida, ambicionam chegar ao Alaska com a Ranger, percorrendo todas as Américas. As viagens não devem acabar tão cedo. ''Também planejamos ir para a Europa. Queremos conhecer o mundo de carro'', revelaram eles.

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