Enforcaram o Brasil
Nesta semana, em que comemoramos o Dia de Tiradentes, fui ao consultório de minha amiga dentista. Antes de cuidar do meu pré-molar, enquanto esperávamos a anestesia fazer efeito, ela discutiu a situação brasileira com lucidez e revolta. Como milhões de brasileiros, minha amiga está sendo enforcada pelo imposto de renda, cuja tabela está sem reajuste há vários anos, lançando legiões de trabalhadores na boca do Leão, sem que apareça um sindicato para fazer um mísero protesto.

Tiradentes foi preso e enforcado por se revoltar contra os 20% de impostos cobrados sobre o ouro, popularmente conhecidos como "o quinto dos infernos". Hoje, o trabalhador brasileiro, você que está lendo este texto, paga 40% de impostos ao governo, portanto o dobro do dinheiro que levou Joaquim José da Silva Xavier à forca em 1789. E a não presidente quer aumentar essa carga ainda mais. Hoje, até o mês de maio, eu e você trabalhamos só para financiar o Estado. Somos, por assim dizer, funcionários públicos nos cinco primeiros meses do ano. A Rainha Vermelha quer aumentar essa parceria não solicitada.

Se vivesse nos dias de hoje, Tiradentes seria chamado de sonegador, golpista e assassino. Sonegador porque desejava pagar menos impostos. Golpista porque lutava contra um governo corrupto e ilegítimo. Assassino porque era militar. A conclusão é óbvia: somos todos Tiradentes.

Na ONU, Che Guevara disse em 1964:

— Sim, fuzilamos e continuaremos fuzilando!

Dilma poderia ter dito, na mesma assembleia:

— Sim, roubamos e continuaremos roubando!

Aliás, é perfeitamente natural que a presidente-zumbi tenha levado o MST para Nova York. Lá eles poderão invadir a ONU, terra mais improdutiva daquelas paragens.

Dilma e o PT roubaram mais do que a economia nacional: roubaram a esperança e o futuro de um país inteiro, instalando o maior esquema de corrupção da história. Mas se enganam aqueles que pensam ser a corrupção o principal objetivo da organização criminosa governante. O que move essa gente é, acima de tudo, a perpetuação no poder. Para os companheiros, dinheiro sempre será importante, mas funciona acima de tudo como um meio, não como um fim.

Quando escolhi a imagem que ilustra esta coluna, minha mulher disse que é uma cena por demais tétrica. E ela tem razão. O quadro de Pedro Américo, pintado em 1893, é uma das provas de que, em arte, o belo nem sempre é bonito. Há controvérsias em relação à historicidade da imagem: sabemos que Tiradentes não tinha as barbas e cabelos compridos no dia do enforcamento; isso foi feito para deixá-lo mais próximo ao Cristo. Mas o incrível é que essa tela, 123 anos depois, ganhou contornos extremamente realistas. A imagem do Tiradentes esquartejado é um retrato do Brasil contemporâneo. Notem que as partes do corpo do mártir formam o desenho do mapa do Brasil. Notem que, ao fundo, quase invisível, há uma fidalga de vestido vermelho observando a cena. Essa fidalga representa a elite que nos desgoverna. O esquartejamento é o que nos aconteceu. E a cruz é a nossa esperança.

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