AVENIDA PARANÁ
PUBLICAÇÃO
quarta-feira, 13 de abril de 2016
por Paulo Briguet 
Nossa Senhora da Saudade
Dias atrás, vi aqui no bairro, no restaurante da Dona Beth, o Dr. Antônio Amarante, médico cancerologista a quem dediquei uma crônica recente. Ele me cumprimentou com simpatia e timidez. O homem que salva tantas vidas é, além de tudo, humilde! Almoçava com a filha, em um pequeno restaurante por quilo. Depois de cumprimentá-lo, voltei à minha mesa e fiz uma oração pelo Dr. Amarante e por todos aqueles que se dedicam a fazer o bem.
Muitas pessoas têm pedido orações para mim. Não sei se as minhas preces são eficazes, mas garanto que as faço de todo o coração. Tenho rezado muito por três queridas amigas uma delas, minha irmã Fernanda, que está com dengue. Peço a vocês que, se puderem ou quiserem, rezem por elas também. E melhore logo, Fer.
Mas outro dia, na Catedral, uma leitora fez um pedido diferente. Pediu que eu escrevesse uma crônica sobre Nossa Senhora da Saudade. Não é uma tarefa fácil. Sabemos que a Virgem Maria tem inúmeros títulos, ligados às suas aparições, milagres e virtudes: Mãe Três Vezes Admirável de Schoenstatt, Nossa Senhora de Fátima, Nossa Senhora de Guadalupe, Nossa Senhora da Salete, Nossa Senhora de Guadalupe, Nossa Senhora do Rocio, Nossa Senhora das Graças, Nossa Senhora do Rosário e, claro, Nossa Senhora Aparecida, cuja imagem peregrina está em Londrina.
São todas uma só mulher, a Mãe de Deus, sobre quem Jesus disse, antes de morrer: "Filho, eis aí tua mãe" (Jo 19,27). Embora respeite quem pense de outra forma, vejo a devoção a Maria como uma atitude fundamentalmente cristocêntrica. E peço que esta qualidade da minha fé seja também respeitada.
O nome completo da Padroeira do Brasil é Nossa Senhora da Conceição Aparecida. Refere-se, portanto, à concepção de Maria como ser humano livre do pecado original. Afinal, assim teria de ser, pois ela viria a ser a Portadora de Deus (Theotókos). Pensar em Nossa Senhora é pensar numa criatura livre das nossas angústias e temores, na própria imagem da pureza humana.
Essa condição privilegiada transforma a Virgem Maria em companheira de nossa saudade. Como diz Camões em um célebre poema, a vida humana é marcada pela saudade da perfeição divina, da qual fomos originados: "Não é logo a saudade/ das terras onde nasceu/ a carne, mas é do Céu,/ daquela santa cidade/ donde esta alma descendeu".
Por esse motivo, quando sinto o coração apertado com a saudade de meu pai e minha mãe, penso logo na figura de Maria e na sua genial capacidade de nos mostrar a consolação que vem de Deus, por meio de Cristo.
Digo sempre que a saudade não é algo que se sente, mas algo que se é. Escrever esta crônica (como meu pai escrevia as suas), ler os livros de literatura russa (que meu pai lia), ler os livros de história (que minha mãe lia para ensinar a seus alunos) é uma forma de mantê-los aqui ao meu lado.
Nossa Senhora da Saudade, rogai por nós, que recorremos à vós!
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