Orgulho de ser coxinha
No seriado original sobre Pablo Escobar, o carro do traficante é parado pela polícia. O guarda pergunta:
— Os senhores têm o documento do veículo?
— No.
— Os senhores têm identidade?
— No.
— Os senhores têm salvo-conduto?
— No.
— Os senhores têm algum documento?
— No.
— E por quê?
Porque somos bandidos.

Eu nunca viveria esta cena. Primeiro, porque não sei dirigir. Depois, porque tenho muito respeito pela polícia. E, finalmente, por um motivo singelo: sou coxinha.

Há muito tempo, o termo coxinha deixou de ser ofensivo. Depois que Lula disse que seus amigos iriam "dar porrada nesses coxinhas", não só a palavra se transformou em elogio, como ser coxinha praticamente se tornou um dever cívico. Ofensa é dizer que alguém é mortadela.

Ontem, na primeira página da Folha, notei que estou bem acompanhado: 88% dos londrinenses são coxinhas como eu, pois consideram o governo Dilma Rousseff ruim ou péssimo. Londrina é praticamente a capital mundial dos coxinhas! (Afinal, nós sabemos como nasceram o Mensalão e o Petrolão. E já tivemos longos doze anos de PT antes do resto do País.)

Coxinha que sou, fico feliz quando meu filho canta o Hino Nacional na escola. Tenho muita vergonha alheia quando vejo um militante, amigo de caciques esquerdistas, ser preso com 55 mil reais em dinheiro vivo. Tenho vergonha alheia quando vejo um ex-senador usar uma igreja para fazer seus negócios, enquanto alguns católicos ainda insistem em defender o PT ou, tão grave quanto, calar-se diante do maior escândalo de corrupção da história. Tenho vergonha alheia quando alguém diz que o maior problema do Brasil é o Cunha.

Sou coxinha porque prefiro Ary Fontoura a Wagner Moura. Porque acho Joice Hasselmann muito mais bonita e mais inteligente que Letícia Sabatella. Porque, quando meu filho perguntou quem era Marina Silva, eu cantei aquela musiquinha do desenho animado:

Eu quero saber
Por que o gato mia
Verde por fora, vermelha por dentro
É a melancia!

Sim, sou um coxinha: trabalhador, pai de família e cristão. Não perco a alegria por nada neste mundo. No próximo domingo, os coxinhas pés-vermelhos têm um encontro marcado no Anfiteatro do Zerão, para assistir de camarote aos últimos momentos do governo Dilma. O jornalista Délio Cesar, que idealizou o Zerão, estará presente em espírito.

Em russo, a palavra domingo (Voskressenie) significa ressurreição. Nem os comunistas conseguiram mudar isso. Espero que neste domingo o Brasil comece a ressuscitar. Coxinhas do Brasil, uni-vos!

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