Pedrinho no parque
Fomos ao Parque Ney Braga com o Pedro — e é claro que ele adorou. A Exposição de Londrina é um mundo de sonhos para as crianças. A alegria do Pedro foi tão grande que até nos esquecemos um pouco do calor e da crise. Então eu pensei em outro menino, que também se chama Pedro.

O meu Pedro vai fazer seis anos; o outro Pedro, que passarei a chamar de Pedrinho, tem oito meses. Deus nos agraciou com um menino alegre e cheio de saúde. O Pedrinho, que vive em Sertanópolis, também é alegre, mas nasceu com leucinose, a "doença do xarope de bordo", um erro inato do metabolismo que causa acúmulo de aminoácidos no tecido cerebral. Por causa disso, o bebê precisa ser alimentado com um leite em pó importado, que custa 800 reais a lata!

A boa notícia é que a doença do Pedrinho é curável. Ele poderá ter uma vida normal – desde que seja alimentado adequadamente agora.

Acontece que os pais do Pedrinho são pobres. E não podem esperar meses por uma decisão judicial, até que o leite em pó seja custeado pelo poder público. Eles precisam da nossa ajuda — agora.

Sei que hoje em dia a situação econômica de todo mundo está difícil. A minha também está. Mas eu acho que o Pedrinho merece a nossa atenção.

Pedrinho merece um dia ver a roda gigante e as luzes do Parque Ney Braga.

Pedrinho merece correr entre as barracas que vendem cachorro quente, sanduíche de pernil e pamonha.

Pedrinho merece brincar com as ovelhas e ver os porquinhos dormindo na serragem.

Pedrinho merece tomar um sorvete e depois uma garrafa de água bem gelada.

Pedrinho merece ver os peixes coloridos no grande aquário.

Pedrinho merece ouvir a voz simpática do Zezão Makiolke.

Pedrinho merece conversar com o Rodrigo Geara (que também tem um filho chamado Pedro).

Pedrinho merece ver os filhotes de cachorro e os periquitos que parecem pintados por algum artista.

Pedrinho merece tirar fotografia com os minihorses.

Pedrinho merece passear na fazendinha e admirar o tamanho das máquinas agrícolas.

Pedrinho merece tudo isso. Hoje ele só tem oito meses e está lutando pela vida; ainda não pode curtir as atrações do Parque Ney Braga. Mas eu sonho com o dia em que os dois Pedros, o meu filho e esse pequeno lutador de Sertanópolis, vão passear juntos na Exposição de Londrina.

Ontem, logo depois de acordar, abri um livro de Federico García Lorca e li um verso que sempre me surpreende: "Virão as iguanas vivas morder os homens que não sonham".

Eu sei que os meus sete leitores não deixam nunca de sonhar. Por isso, eu peço a eles que enganem a iguana e ajudem o Pedrinho a comprar o seu leite, assim como eu vou tentar ajudar também. Quem quiser, pode encaminhar um e-mail para a médica do Pedrinho, Dra. Maria Stela Paganelli ([email protected]) ou entrem em contato com esta coluna.

Vida longa a todos as crianças que se chamam Pedro! E a todas as outras também.

Fale com o colunista: [email protected]

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