AVENIDA PARANÁ
PUBLICAÇÃO
terça-feira, 05 de abril de 2016
por Paulo Briguet 
Acabou a república da cobra
1. Nos últimos tempos venho tentando falar sobre assuntos diferentes, mas confesso que está bem difícil. Ontem, por exemplo, falei de meu pai. E não é que na noite de segunda-feira ocorreu um belo ato de juristas a favor do impeachment, bem na Faculdade do Largo de São Francisco, escola em que ele estudou? Sei que meu pai estava presente lá, em espírito e verdade. Ele ficaria feliz ao ouvir o grito de seus colegas da Velha Academia: "Acabou a república da cobra!"
2. Volto ao assunto aquele assunto, vocês sabem qual é por se tratar de algo que nos afeta diretamente. Sim, eu sou contra o reajuste salarial dos vereadores; pode ser legal, mas é imoral, principalmente neste cenário de empobrecimento geral da população. Sim, eu quero que a Operação Publicano vá até as últimas consequências incluindo aí a eventual renúncia ou cassação do governador. Mas essas coisas são menos importantes que o principal: o PT quer transformar a vida dos brasileiros em um inferno. E continuará transformando, se o poder não lhe for tirado das mãos, conforme prevê a Constituição Federal.
3. Enquanto uma das autoras do pedido de impeachment, Janaina Paschoal, e outros professores universitários faziam história nas arcadas da São Francisco, um grupo de 100 professores da UEL publicava um inócuo manifesto, apontando a "judicialização da política" e a "politização do judiciário". O uso desse velho clichê de inversão, muito comum nos textos mais panfletários de Marx, revela um problema da nossa esquerda: falta redator.
4. Com alguma experiência na leitura de textos esquerdistas, eu traduzo para vocês. "Judicialização da política" e "politização do judiciário" significam a mesma coisa: quando as decisões da Justiça e dos políticos não agradam os companheiros. E é claro que os acadêmicos também condenam a "enviesada cobertura midiática dos fatos". Como se sabe, a imprensa livre é vista pela esquerda como um dos grandes responsáveis pela destruição econômica, social e moral do Brasil.
5. Hoje o Brasil tem um presidente de fato e uma presidente de ficção. Em Brasília, o presidente de fato negocia cargos e benesses para os partidos que restaram na base do governo especialmente o PP, herdeiro da Arena e da ditadura militar. E a presidente de ficção tenta reinar entre berros e xingamentos. Nenhuma palavrinha sobre isso?
6. Gostaria de saber o que a Dra. Édina de Paula, falecida há poucos dias e cujo último ato público foi ir às ruas no dia 13 de março, teria a dizer sobre o manifesto do grupo de professores da UEL. Pela última mensagem que trocamos, posso imaginar.
7. Por fim, uma dica de filme. Vale a pena rever "Os Intocáveis", com direção de Brian De Palma e roteiro de David Mamet, que conta a história da luta entre Eliot Ness e Al Capone, na Chicago dos anos 20. Por algum motivo, lembrei-me de dois personagens do Brasil atual.
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