O carpinteiro de Londrina
Artista é aquele que possui a capacidade de fazer bem alguma coisa. Portanto, o Sr. Helmuth Janz é um artista de verdade. Aprendeu a arte da carpintaria com o pai, o imigrante alemão Alberto Janz, que chegou a Londrina em 1930 e prestou serviços para a Companhia de Terras Norte do Paraná. Helmuth tem 81 anos, a idade de Londrina: nasceu em 1934 e foi uma das primeiras crianças registradas na cidade.

Londrina só existe graças a trabalhadores como Helmuth Janz. Este cronista esteve na casa de peroba onde ele vive há quase 40 anos, na Rua Amapá, a "última rua do centro", como ele gosta de dizer. Artista da madeira, Helmuth foi logo me mostrando um conjunto de cadeiras que ele e o pai fizeram a quatro mãos há mais de 60 anos. Cadeiras que são autênticos símbolos da nossa gente trabalhadora: sólidas, íntegras, fortes, direitas. Cadeiras para sempre.

Ao lado do pai, Helmuth ajudou a construir não só cadeiras, mas também casas, escolas, igrejas, pontes e leitos de ferrovias. Especializou-se, contudo, em um objeto fundamental para a civilização: as portas. Como sabem os meus sete leitores, a porta é um dos mais ricos símbolos que existem, utilizado até por outro filho de carpinteiro, Jesus de Nazaré: "Eu sou a porta. Qualquer pessoa que entrar por mim será salva". (Jo 10,9)

"Coloquei centenas de portas nesta cidade", diz Helmuth. Ele está sendo modesto. Ao longo de tantos anos, Helmuth deve ter instalado milhares de portas em Londrina. Quem sabe você, que está lendo este texto agora, passou por uma delas hoje. Se a sua porta foi colocada por mãos hábeis e caprichosas, tem grande chance de ser uma porta padrão Helmuth.

Ele se casou em 1961 com Martha Luiza, mineira de Teófilo Ottoni, falecida há dez anos. Tiveram cinco filhos: Cristina, Rony, Cláudia, Oscar e a saudosa Marli, que partiu com apenas 23 anos, e de quem Helmuth fala com emoção até hoje.

O carpinteiro cresceu junto com Londrina. Quando criança, morando no sítio da família no Heimtal, Helmuth vinha com a mãe para a cidade vender produtos como manteiga, leite, ovos e frutas. Nos primeiros anos, o meio de locomoção era uma carroça. Com o passar do tempo, conseguiram juntar um dinheirinho e comprar um jipe. "Até os 27 anos, trabalhei no sítio com meus pais", conta Helmuth. "Eu e minha mãe tocávamos a roça. Se meu pai precisava de ajudante no serviço de carpintaria, eu ia junto com ele. Às vezes fazíamos casas de madeiras na mão, cortando troncos com o serrotão."

Mesmo depois da aposentadoria, Helmuth continua muito ativo. Canta no coral luterano e constrói objetos de madeira com engenho e arte. Recentemente, concluiu uma casinha de madeira ao estilo das primeiras habitações de Londrina. A maquete de Helmuth prima pelos detalhes. "Meu objetivo é mostrar como é a estrutura da casa", diz o carpinteiro londrinense. "De propósito, fiz a casa com dois errinhos, para algum engenheiro ou arquiteto descobrir."

Fica o desafio. Em breve, a casa de madeira de Helmuth Janz será doada ao Museu Histórico de Londrina.

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