Ou o Brasil, ou Lula
1. Há dois tipos de cegos no mundo: os cegos dos olhos e os cegos da inteligência. A diferença é o que os cegos dos olhos raramente têm a cegueira total. Mesmo quando falta em 100% o sentido da visão, eles encontram maneiras de suplantar a deficiência. Aprendem a ler em Braile, aguçam os outros quatro sentidos, estudam, trabalham, vivem. O Instituto dos Cegos de Londrina está cheio de belas histórias de superação. Só não vê quem não quer.

2. Com a cegueira da inteligência acontece o contrário. Quanto menos inteligente a pessoa fica, menos ela percebe que está cega. A escuridão da mentira e do autoengano (a mentira que as pessoas contam para si mesmas) torna-se cada vez mais espessa e absoluta. Se você mencionar a existência da luz ao cego da inteligência, será tido por ele como louco, bandido ou leviano. Será, acima de tudo, um inimigo.

3. O Brasil está sendo governado por cegos da inteligência. Os donos do poder só sabem viver e movimentar-se na mentira e nas trevas. A corrupção não é uma ocorrência do governo; ela é o próprio governo. Desculpem a brutalidade do que vou dizer, mas é como se o câncer resolvesse assumir a identidade do doente e se apresentasse como a verdadeira pessoa. Ou, para usar uma imagem de Hans Christian Andersen, é a sombra tomando o lugar do dono da sombra.

4. Só um cego não vê que o Brasil está diante de uma escolha. Ou o País, ou Lula. Ou o povo, ou o PT. Ou o futuro, ou Dilma. Para três nomes, três caminhos: a punição, a extinção e a renúncia. Não há qualquer sentido de vingança ou ressentimento nessa conclusão. Trata-se apenas de uma questão de sobrevivência. Sobrevivência do País. Se tivesse um mínimo de amor pelos brasileiros, Lula estaria discutindo agora os termos de uma prisão domiciliar. Mas não: ele e o PT querem o conflito, querem a guerra. Que Nossa Senhora Aparecida – cuja imagem peregrina está em Londrina – evite o pior.

5. Agora, mais do que nunca, precisamos manifestar nosso amor pelo Brasil. No dia 3 de março, quando o Colégio Mãe de Deus completou 80 anos, eu vi e ouvi as crianças da escola cantando o Hino Nacional. Foi uma cena que me encheu de esperança. Sim, ainda temos bons exemplos no Brasil. Entre os maiores estão o juiz Sérgio Moro e o filósofo Olavo de Carvalho, mas existem outros. É hora de mostrar, aos que ainda se recusam a enxergar, o alvorecer de uma nova nação. Uma nação em que a verdade, o trabalho e a misericórdia sejam os pilares, não as ruínas, do edifício social.

6. No dia 13 de março, estarei nas ruas para dizer que acredito neste novo Brasil. Dez, cem, mil, cem mil ou um milhão poderão caminhar ao meu lado; só não quero é correr o risco de dizer aos meus netos que fui omisso na hora mais importante.

7. Que Deus nos acompanhe. "Porque nEle vivemos, e nos movemos, e somos." (At, 17,28)

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