Avenida Paraná
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quarta-feira, 02 de março de 2016
por Paulo Briguet 
As irmãs do impossível
"Comece fazendo o necessário, depois o que é possível, e de repente você estará fazendo o impossível." A frase atribuída a São Francisco de Assis me vem à mente quando penso no Colégio Mãe de Deus, que hoje está comemorando 80 anos de fundação. Em março de 1936, as primeiras 12 Irmãs de Maria enviadas da Alemanha pelo Padre José Kentenich (1885-1968) começavam a escrever uma história de fé, esperança e amor. Londrina era a filha de Londres; elas eram as irmãs do impossível.
Antes de partir da Alemanha, uma das 12 Irmãs secretamente retirou um tijolo da Casa-Mãe do Santuário de Schoenstatt e levou-o consigo na viagem marítima para o Brasil. Dias antes da chegada em Londrina, a Ir. Almut fez uma surpresa a suas companheiras de missão e colocou o tijolo de Schoenstatt numa mesa, rodeado por 12 velas. As Irmãs firmaram, então, o seguinte compromisso: "Mãe Três Vezes Admirável, aceita-nos hoje como pedras vivas da construção e submerge-nos na terra do Brasil. Fecunda nossos trabalhos e nosso aspirar pelo Santuário. Como nossos Congregados-Heróis, concede-nos ser construtoras que ajudem a edificar o teu reino no Brasil. Como fracos instrumentos de nossa Mãe, queremos viver e morrer por nossa missão Schoenstatt-Brasil. Mater habebit curam".
Em Londrina, as Irmãs enfrentaram o que elas próprias chamaram de "cruz de linguagem". Com a missão de educar crianças brasileiras, aquelas jovens religiosas alemãs tiveram menos de um ano para aprender a língua portuguesa. No entanto, elas conseguiram. Tiveram como auxiliares, além de uma professora brasileira, dona Malvina, as linguagens universais da música e da oração.
As atividades do Colégio Mãe de Deus começaram numa casinha de madeira cedida pela Companhia de Terras, situada na Rua Minas Gerais, no terreno onde hoje fica o Palácio do Comércio. Logo nos primeiros dias, a cidade enfrentou um surto de febre amarela. Além de cuidar das aulas para as 76 crianças matriculadas, elas ajudavam nos cuidados com os doentes. Naquele mesmo mês, mais um grupo heroico de Irmãs de Schoenstatt fundaria em Londrina a Santa Casa de Misericórdia.
Em 17 de julho de 1938, foi inaugurada a sede definitiva do Colégio Mãe de Deus, primeiro prédio de alvenaria da cidade. Antes de conseguir os 120 contos de réis por empréstimo, Irmã Norberta e suas companheiras haviam enviado 800 (!) cartas escritas à mão para possíveis benfeitores no exterior. Houve apenas uma resposta favorável: as Irmãs do Bom Pastor de Peekstill, em Nova York, enviaram-lhes um envelope
com dois dólares. A pedra fundamental do Colégio foi o mesmo tijolo trazido da Alemanha.
É claro que há muito mais para contar sobre a saga do Colégio Mãe de Deus. Mas encerro esta crônica com 12 palavras os nomes daquelas mulheres que, além de filhas de Alemanha e irmãs do impossível, também foram mães de Londrina: Norberta, Almut, Theresita, Mariaregis, Ludwiga, Gerharda, Margrit, Agneta, Diethild, Calixta, Floriberta, Emanuele. Amém.
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