A lição das perobas
1. O escritor inglês Roger Scruton tem uma excelente definição de conservadorismo: "Encontrar o que você ama e agir para proteger isso". No livro "Como ser conservador", Scruton busca a semente de verdade em cada uma das visões de mundo modernas, inclusive o ambientalismo. Com essas sementes, ele cultiva um projeto de vida que poderíamos chamar, sem medo algum do clichê, de "sustentável". Dizendo de outra maneira: Scruton ensina a defender valores que se mantêm vivos porque já foram provados pela sucessão de indivíduos e sociedades.

2. Outro dia quis saber por que um círculo possui 360 graus. Uma das explicações é que os babilônios consideravam que o ano solar durava 360 dias. O círculo seria, pois, uma representação perfeita da unidade entre tempo e espaço. Toda pessoa, instituição ou comunidade depende do equilíbrio entre essas dimensões.

3. Um exemplo histórico é a cidade de Londrina, que só se tornou possível em tão curto espaço de tempo - 81 anos - porque expandiu seus horizontes em 360 graus. Londrina também foi uma solução, digamos agora sem aspas, sustentável. Uma cidade que sempre viveu do equilíbrio entre inovação e continuidade. Aqui os valores do velho Brasil tiveram uma admirável simbiose com o espírito criativo e empreendedor dos imigrantes.

4. No caderno especial do projeto "Encontros Folha", publicado no último domingo, é digno de destaque o fato de que a palavra "crise" teve relativamente pouco destaque. A grande ênfase está nos quatro pilares que definem o equilíbrio de uma empresa ou instituição: econômico, social, ambiental e cultural. A ausência da palavra crise não significa, em absoluto, que nós devemos ignorá-la ou aceitá-la com passividade. Quer dizer apenas que precisamos estar preparados para a defesa do que amamos.

5. Amanhã Londrina comemora os 80 anos de uma instituição que sempre zelou pelo mais importante: o Colégio Mãe de Deus. A escola católica ajudou a trazer para nossa cidade, por meio da educação e da cultura, uma notável elevação espiritual.

6. A alguns metros do Colégio Mãe de Deus, existe uma das últimas perobas do centro da cidade. Como explica o escritor Domingos Pellegrini, em seu romance "O Coração das Perobas", a grande árvore só sobrevive se existir vegetação ao redor. O desenvolvimento de nossa cidade e nossa região foi possível porque as pessoas seguiram o exemplo da peroba centenária e do colégio octogenário — e se uniram para sobreviver.

7. Roger Scruton chamaria isso de "oikophilia" (amor pelo lar). Padre Kentenich falaria em "pensar orgânico". E ambos teriam razão.

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