Avenida Paraná
PUBLICAÇÃO
terça-feira, 23 de fevereiro de 2016
por Paulo Briguet 
Procura-se uma oposição
1. O Brasil vive um dos mais graves momentos de sua história e tudo que ouvimos de nossos principais líderes oposicionistas é um discurso cauteloso e morno, quando até as pedras do calçamento estão a gritar por firmeza e coragem. A atual oposição brasileira não está à altura de suas responsabilidades. Em vez de derrubar o muro da vergonha, prefere sentar-se sobre ele.
2. O PSDB hoje é o adversário ideal para o PT: um adversário que não oferece a mínima resistência. Alheios à força dos acontecimentos, os caciques tucanos contentam-se em catar migalhas de moralidade e alimentar fúteis esperanças eleitorais, como um médico que tenta salvar um paciente enfartado com aspirina.
3. O sr. Aécio Neves, que recebeu 51 milhões de votos na eleição presidencial, tornou-se incapaz de articular uma fala afinada com o sentimento da população. O neto de Tancredo hoje nada mais é do que uma sombra balbuciante de si mesmo o último e melancólico personagem da "Nova República".
4. Quem lê minhas crônicas pode ter a impressão de que odeio petistas ou que gostaria de caçá-los como se fossem bestas-feras. Nada pode estar mais longe da verdade. Tenho uma característica que até hoje não sei se é qualidade ou defeito: tendo a simpatizar com as pessoas, e raramente sinto raiva de alguém. Alguns amigos se afastaram por causa das minhas posições políticas; mas são pessoas para quem a política supera a amizade.
5. Os grandes líderes e comparsas do PT são irrecuperáveis; para esses, os únicos remédios são a cadeia ou, na melhor das hipóteses, o ostracismo. Mas o que me causa consternação, a ponto de me levar às lágrimas, é a situação daqueles que não enxergam outro sentido na vida além da militância esquerdista. Imagino quão difícil deve ser descobrir que se lutou a vida inteira por uma mentira.
6. Não acredito que o PT vai acabar por decisão da Justiça ou da classe política. O PT vai se dissolver no ar como o Partido Comunista da Alemanha Oriental em 1989. Chegará o momento em que será inviável a qualquer candidato se apresentar com o número 13. É claro que o PT assumirá outras formas e ocupará outras legendas, como sempre fizeram os movimentos socialistas, mas o petismo em si mesmo será algo tão morto e enterrado quanto o movimento positivista, o queremismo ou o partido escravocrata.
7. Nossa cidade funcionou, no final dos anos 90, como laboratório de testes para o Mensalão e o Petrolão. Felizmente, conseguimos vencer a cleptocracia. Se aconteceu em Londrina, pode acontecer no Brasil. Por isso, não perco as esperanças de que surgirão líderes capazes de assumir valores conservadores e liberais, de raiz judaico-cristã, e assim conduzir o país a um novo tempo e uma nova comunidade. A Terra de Santa Cruz, descoberta na Páscoa, ainda vai ser um exemplo de ressurreição.


