Diário de um coxinha
1. Vou pelo centro da cidade. À porta de uma lanchonete, vejo um pequeno cartaz com os seguintes dizeres: "Você não pode comprar felicidade, mas pode comprar coxinha – o que é quase a mesma coisa. Você já viu alguém triste comendo coxinha?"

2. O que nos leva ao assunto da coluna de hoje: coxinha. Não a coxinha alimento, mas o coxinha pessoa. Não a coxinha que se come, mas o coxinha que se é. Pois é assim que os apoiadores do atual desgoverno brasileiro chamam aqueles que não compartilham de suas ideias. Sim, os petistas acreditam que a maioria do povo brasileiro é composta por coxinhas. Nada mais natural que eles não vejam problema em destruir o país.

3. Acontecerá com a palavra coxinha o mesmo fenômeno que transformou o termo "pé-vermelho". De início, pé-vermelho era uma expressão pejorativa, usada para ridicularizar os caipiras. Com o tempo, no entanto, a designação foi orgulhosamente assumida pelos norte-paranaenses, chegando mesmo a batizar um corajoso movimento da sociedade civil que resultou na cassação de um prefeito. Hoje o londrinense diz com toda honra: "Sou pé-vermelho". Um dia também diremos a nossos netos: "Quando o PT estava no poder, eu era coxinha".

4. Mas, afinal, quem é o coxinha? O coxinha é aquele cara que acorda cedo todos os dias para trabalhar. O cidadão que ama a família, tem um emprego ou uma empresa, não depende do governo para sobreviver. Coxinha é o sujeito que um dia acreditou em Lula e hoje quer apenas que ele responda à Justiça. Coxinha é todo aquele que não participa dos movimentos sociais cooptados pelo governo. O indivíduo pode ser branco, negro, amarelo ou de qualquer outra cor: se não reza pela cartilha esquerdista, é coxinha do mesmo jeito.

5. Torna-se automaticamente coxinha quem vai às manifestações contra o PT. É mulher e não é feminista? É homem e não é militante? É estudante e não de esquerda? É professor e não acredita em socialismo? Acredita em iniciativa privada? Acredita em Deus, tem uma religião e não a usa para fazer propaganda do PT? Resolveu abrir um pequeno negócio em vez de prestar concurso público? Prestou concurso, é servidor público, mas acredita em meritocracia? Tudo coxinha!

6. Sou um coxinha meio diferente, um coxinha que anda de ônibus. Ontem mesmo peguei a linha que sai da Avenida Tiradentes e vai ao Terminal do Jardim do Sol. Ali, tive que trocar de ônibus. Durante o percurso, abri meu livro da Adélia Prado e li algumas páginas da querida católica de Divinópolis. Desci no Terminal Central, fui até a lanchonete. Vocês sete devem estar pensando que eu comi uma coxinha. Mas não: tomei um sorvete. Uma casquinha de R$ 3,50, dez centavos mais barata que a passagem de ônibus.

7. A esta altura, meu oitavo leitor deve estar pensando: "Peraí, acho que eu também sou coxinha!". Bem-vindo ao clube, meu irmão.

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