Lúcio Horta
Mesmo sem a concordância de todos os 10 proprietários de terras que serão atingidos pelo prolongamento da Avenida Maringá até a Avenida Madre Leônia Milito, a prefeitura de Londrina pretende executar a obra até o próximo ano. A obra abrange a transposição da Lago Igapó 2 e o prolongamento da via até a Madre Leônia Milito pela Rua Ayrton Senna da Silva, na Gleba Palhano (zona sul). Segundo estudos do Instituto de Pesquisa e Planejamento Urbano de Londrina (Ippul), o novo caminho pode tirar em quase 50% do movimento da Avenida Higienópolis.
A nova solução, que está sendo avaliada pela Secretaria de Obras, seria uma alternativa para contornar o impasse entre o município e o empresário Luiz Carlos Moro Pires, dono da Quadra Construtora. Segundo a prefeitura, o empresário não aceita doar, em troca de alguns benefícios, a faixa de terra que seria utilizada para a pista. Ele só concorda com a desapropriação - que, se for estendida a todos os proprietários, acarretaria um custo de R$ 2,5 milhões a R$ 3 milhões, considerado inviável pela administração municipal.
O secretário de Obras de Londrina, José Righi de Oliveira, explica que se o proprietário manter a posição de não doar a área, a prefeitura pode tocar o projeto da forma que ele foi concebido. No trecho onde a avenida passaria pela propriedade de Pires, no entanto, numa faixa de 185 metros de extensão, a pista deixaria de ser dupla, com 40 metros de largura e canteiro central, e seria ‘‘afunilada’’ numa pista simples, com 22,5 metros.
Righi de Oliveira diz que a sugestão foi feita por um dos outros proprietários que já aceitaram os termos do acordo com a prefeitura. Dos dez, ele garante, oito já concordaram com o negócio e apenas Pires está irredutível. ‘‘A obra vai promover, dar outra vida para a região, com novos prédios e loteamentos. E também irá valorizar os terrenos. Por isso precisamos da participação dos proprietários’’, defende.
Em troca da doação, a prefeitura está oferecendo aos proprietários infra-estrutura de meio-fio, pavimentação, galerias e instalações de água e luz, além de melhorar em 30% o coeficiente de aproveitamento do terreno. Numa área onde se poderia construir um prédio de até 10 andares, por exemplo, seria permitida a construção de 13 pavimentos. Caso a sugestão de ‘‘afunilar’’ a via no trecho que passa sobre o terreno de Pires, o empresário perderia todos os benefícios dados aos outros proprietários.

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