Avenida é uma roleta-russa para pedestres
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sexta-feira, 20 de agosto de 2004
Luciano Augusto<br>Reportagem Local 
A Avenida Bandeirantes (Área Central de Londrina) é conhecida por concentrar boa parte das clínicas, laboratórios e hospitais de Londrina. Por causa dessa sua característica, a via é uma das mais movimentadas do centro da cidade. E na disputa entre veículos e pedestres os primeiros acabam levando vantagem, privilegiados pelas deficiências da sinalização. Para os pedestres, sobram as dificuldades e os riscos de se envolverem em acidentes.
O ginecologista Oscar Alves, 66 anos, trabalha na região desde 1974 e foi testemunha do aumento do movimento na avenida. Ele assinalou que o trecho mais complicado é entre a rotatória da Praça Robert Salum até o cruzamento da rua Antônio Amado Noivo: ''não tem semáforo nem quebra-molas e os motoristas aproveitaram para acelerar''. Ele disse que a insegurança da avenida foi um dos fatores que contribuiu para que transferisse o consultório para uma rua paralela. ''Mudei, em parte, porque as clientes reclamavam muito dos furtos e roubos e da falta de vagas para estacionar'', comentou. Ele e elogiou o trabalho dos adolescentes que trabalham na Zona Azul, ''que ajudam muito os motoristas e pedestres''.
Outra que conhece bem os perigos da Bandeirantes é a dona-de-casa Francisca Olímpia Costa Batista, 68 anos. Há alguns meses, ela teve um problema na coluna e desde então passou a fazer quatro sessões semanais de fisioterapia em um consultório na região. ''Para atravessar aqui é o maior perigo. Tem que correr e para a gente que é de idade isso é muito difícil'', reclamou. Ela costuma ir sozinha às sessões mas a ''filha sempre fala para tomar cuidado com o trânsito''.
Andréia Lopes, 20 anos, Gislaine Kusaba, 62 anos, e Francisca Mayeda, 70 anos, foram visitar um parente ontem à tarde em um hospital localizado na avenida e também consideraram que a via ''é bastante perigosa para os pedestres''. ''Outro dia tivemos que esperar quase 10 minutos para conseguirmos atravessar uma pista''. Adenir Tedardi e a mãe, Olinda Tedardi, tiveram a mesma dificuldade. A reportagem observou que elas demoraram quase o mesmo tempo para atravessar as duas pistas da avenida. ''Não é tão fácil e temos que ter muito cuidado porque os carros não param'', afirmou Adenir.
O aposentado Harold Lee Hartman, 85 anos, classifica que a Bandeirantes é ''uma verdadeira roleta-russa'' para os pedestres. Ele é diretor da Associação de Aposentados e Pensionistas de Londrina (Asapel) e disse que há 10 anos vem tentando sensibilizar as autoridades para o problema. Ontem, ele caminhou com a reportagem da Folha e demonstrou que a avenida tem apenas uma faixa de pedestre em frente a um hospital, conta com somente um semáforo, possui dois quebra-molas que não são respeitados pelos motoristas e não há placas indicando o limite máximo de velocidade.
Hartmam lembrou que muitos dos pedestres que transitam pela região têm dificuldades ou limitações para se locomover e deveriam ser privilegiados. Os acidentes, segundo ele, só não ocorrem em maior número porque os pedestres são cuidadosos. ''Eu já viajei por vários países e observei que o pedestre tem onde atravessar. Ele é o favorecido e é o motorista quem tem que parar. Aqui, se o motorista atropelar alguém o culpado ainda é o pedestre, porque está fora da faixa'', observou.


