Avenida continua alagada após chuvas em Rolândia
PUBLICAÇÃO
quinta-feira, 04 de fevereiro de 2016
Rafael Fantin<br>Reportagem Local
Rolândia - Mais de 20 dias após as chuvas que bateram recordes na região de Londrina, os moradores de Rolândia ainda convivem com os transtornos provocados pela forte tempestade. Um trecho da Avenida Brasília continua alagado, o que prejudica principalmente trabalhadores de indústrias e moradores de um condomínio fechado com a entrada bloqueada pela água.
Funcionário de uma empresa de perfuração de poços, Juliano Fernochi, lembrou que o local ficou fechado por mais de uma semana e que os empregados retornaram ao trabalho com o nível da água na altura dos joelhos. "A gente deixava o carro longe e andava com botas até a empresa. A água chegou até o escritório e perdemos vários computadores", recordou.
Segundo ele, quando o nível da água começou a diminuir, uma nova chuva voltou a alagar o trecho da avenida. "Construímos barricadas para impedir a entrada da água novamente na empresa e colocamos algumas bombas no local para drenar a área", acrescentou. De acordo com moradores da região, antes da abertura da via pública, o local era um fundo de vale com uma mina d´água e registra alagamentos há, pelo menos, 20 anos. Mas, as precipitações do mês passado subiram o nível acima do normal por causa do grande volume de chuva em poucas horas.
A entrada do condomínio Costa do Sol também ficou debaixo dágua. Os moradores só conseguiram acessar os próprios carros por meio de um buraco aberto em uma parede nos fundos do empreendimento. Os veículos da prefeitura e de moradores de outros bairros também estão usando a área interna do condomínio particular como alternativa ao ponto de alagamento.
O construtor Luiz Carlos Picotti reclamou que duas obras dentro do condomínio estão paralisadas por conta do bloqueio. Além da água, os caminhões com materiais de construção não conseguem entrar no local para passagem alternativa. "Os caminhões com tijolos e pedras não chegam e até a retirada da caçamba foi comprometida. Tenho oito funcionários nas obras realizando pequenos serviços com materiais transportados em utilitários. Isso é uma vergonha e teremos que arcar com os prejuízos", criticou.
O secretário de Planejamento e Desenvolvimento Econômico da Prefeitura de Rolândia, o engenheiro Dario Luiz Campiolo, informou que uma obra provisória foi realizada para escoamento da água, o que deve resolver o problema de alagamento na Avenida Brasília. Ele lembrou que a prefeitura chegou a utilizar bombas para drenar a área, mas não obteve sucesso. "Na obra emergencial, executamos uma canaleta para escoamento da água para evitar novos alagamentos em períodos de chuvas. Existe um projeto para estender a avenida até a rodovia na saída em direção a Cambé. A drenagem permanente do trecho faz parte dessa obra", explicou.
FGTS
A Prefeitura de Rolândia informou que o decreto de estado de calamidade pública foi homologado pelo Estado e pela União. O município tem 90 dias para a apresentação de projetos para obras de recuperação. Reparos provisórios foram executados em cinco pontes do município para normalização do fluxo de veículos e acesso aos moradores até a zona rural.
Além disso, a Secretaria de Assistência Social termina hoje, às 17h, o cadastramento dos moradores que tiveram as casas danificadas durante as chuvas. Eles poderão sacar o Fundo de Garantia por Tempo de Serviço (FGTS) para utilizar o recurso nas obras de recuperação. O cadastro deve ser realizado na Avenida dos Expedicionários, no 3º andar do prédio do Banco do Brasil, das 11h às 17h. Na sexta-feira, a secretaria vai repassar os dados a Caixa Econômica Federal para dar andamento aos processos. Ainda de acordo com a prefeitura, o bairro mais prejudicado foi o Conjunto Habitacional Tomie Nagatani, onde houve danos em mais de 60 residências. Como as casas foram entregues aos moradores no ano passado, o município informou que negocia o reparo com a construtora responsável pela obra.
ABASTECIMENTO
Já a Sanepar confirmou que o abastecimento de água em Rolândia foi normalizado em 100% da cidade com obras emergenciais. No entanto, a reconstrução da estação de tratamento e a recuperação do sistema deve demorar, aproximadamente, 60 dias.
DESAPARECIDO
A estação da Sanepar está localizado às margens do rio Bandeirantes, onde a enxurrada levou um ônibus utilizado no transporte de trabalhadores. Após, aproximadamente, 10 dias, o Corpo de Bombeiros suspendeu as buscas pelo motorista do veículo Odair José, de 35 anos. Cães farejadores foram trazidos de Curitiba para auxiliar na procura pelo condutor. De acordo com a corporação, a busca pelo desaparecido só será retomada se houver indícios sobre a localização da vítima.