Apesar da agitação do centro de Curitiba, um casal de quero-queros está morando na Praça Osvaldo Cruz. Eles se instalaram num canteiro de grama para chocar os ovos da próxima ninhada. As aves construíram um abrigo com folhas secas. Ao menor sinal de perigo, os pais dão vôos rasantes para espantar quem tenta se aproximar.
O biólogo Adilson Brito, que faz corridas diárias na praça, diz que os quero-queros devem permanecer ali até o crescimento dos filhotes. A presença deles em áreas urbanas é comum, segundo Brito. ‘‘Ele (quero-quero) é bem tolerante à presença humana’’, explica. O nome da ave deve-se ao som metálico que ela emite quando canta.
Brito suspeita que, como banhados e capinzais da região já estejam ocupados por outras famílias de quero-queros, as aves encontraram na Praça Osvaldo Cruz uma alternativa para garantir o nascimento dos filhotes. O biólogo considera que a presença da ave é um bom conceito para a cidade. ‘‘Se tem quero-quero, é sinal que existem muitas áreas verdes.’’
O quero-quero é uma ave bastante comum nas Américas. Pode ser encontrada desde a Terra do Fogo, extremo sul da Argentina, até a América Central. Ele alimenta-se de frutas e insetos e não é considerada uma espécie agressiva. Seus principais predadores são os gaviões. Um par de esporões nas asas são as únicas defesa contra os agressores. O quero-quero costuma ficar agitado somente no período de nascimento dos filhotes. Segundo Brito, não há notícias de que o casal da Praça Osvaldo Cruz tenha atacado alguém.