Curitiba - Recentes pesquisas apontam crescimento no número de casos de Acidente Vascular Cerebral (AVC) em pessoas entre 45 e 65 anos. Os motivos que levam ao problema são conhecidos: cigarro, alimentação, falta de exercícios físicos, estresse, enfim, hábitos de vida considerados ruins. Isso gera fatores de risco, como pessoas com colesterol alto, hipertensas ou obesas.
A falta de qualidade de vida reflete no aparecimento de casos de AVC em vítimas cada vez mais jovens. Com isso, as pessoas com menos de 45 anos também passam a estar mais suscetíveis à doença. Foi o que ocorreu com a auxiliar de serviços gerais Valdirene Aparecida Correa, 39 anos, moradora de Campo Largo, Região Metropolitana de Curitiba. Em 2008, quando estava grávida de oito meses, ela acordou e percebeu que a parte direita do corpo estava paralisada. ''Eu abri o olho e não sentia o braço nem a perna'', conta.
Foi de ambulância para o hospital, onde ficou internada dois dias e foi submetida a uma cesariana de emergência. O pequeno Augusto nasceu prematuro e passou três dias na incubadora. A mãe ficou mais 24 dias no hospital, até recuperar os movimentos do corpo.
Hoje, Augusto tem 1 ano e 8 meses e enfrenta dificuldades em ganhar peso. Para isso, faz acompanhamento médico. Valdirene também visita regularmente um especialista em AVC, para dar continuidade ao tratamento. Ela toma seis comprimidos diários e ainda enfrenta dificuldade em segurar o filho no colo.
Valdirene precisa fazer fisioterapia e acompanhamento médico de diferentes especialidades. Mas como necessita do serviço através do Sistema Único de Saúde (SUS), ainda está na fila de espera, pois no município onde mora não há profissionais suficientes. Ela está afastada do trabalho e recebe auxílio doença.
O impacto social que sofre uma vítima de AVC nesta faixa etária é grande. Existe medicamento para o tratamento do problema, um trambolítico (com substâncias capazes de dissolver coágulos) que há pouco mais de um mês passou a ser fornecido gratuitamente pelo Governo Federal, após grande insistência da classe médica. Mas em apenas 15% dos casos as vítimas conseguem quase que eliminar 100% das possíveis sequelas. Em média, 30% das pessoas morrem e 55% passam a conviver com problemas motores causados pelo dano ao cérebro.
''Muitas das mortes ligadas ao AVC são causadas por infecções, motivadas pela falta de movimento de alguns órgãos'', explica a neurologista do Hospital das Clínicas de Curitiba, Viviane Flumignan Vétola. A dificuldade em engolir pode levar a uma pneumonia por repetição. Se a pessoa estiver na cama, sem conseguir realizar movimentos no braço, por exemplo, a mesma posição pode ocasionar uma úlcera por pressão na pele, trazendo outras chances de infecção e complicações no tratamento.
Porém, o fato do medicamento ser incluso na lista entregue pelo Governo Federal não faz do AVC uma doença facilmente tratada no SUS. O atendimento multidisciplinar de fisioterapeutas, psicólogos, fonoaudiólogos e neurologistas é fundamental. Conseguir tratamento com médicos de diferentes especializações em curto prazo de tempo pelo SUS não é tarefa das mais fáceis.

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