Avanços no tratamento não atingem população carente
Londrina - Os tratamentos oncológicos avançam a passos largos, na tentativa de aumentar as chances de cura da doença. Mas, os custos elevados impedem que pacientes de baixa renda sejam beneficiados. Um dos quatro oncologistas do Hospital do Câncer de Londrina (HCL), Clodoaldo Campos, explicou que o Sistema Único de Saúde (SUS) oferece várias possibilidades, conforme o estágio da doença: há o tratamento localizado - cirurgia e radioterapia -; quimioterapia prévia (anterior à cirurgia) e adjuvante (pós cirúrgica); e até a terapia paliativa, que ataca sintomas e prolonga o tempo de vida.
A última palavra em tratamento oncológico, no entanto, são as terapias com anticorpos monoclonais que, a grosso modo, destroem células doentes sem danificar as sadias, aumentando as chances de cura e diminuindo efeitos colaterais. O problema é o custo, impeditivo, ainda, para atender todos os pacientes do SUS. O crítico acesso dos mais pobres às terapias biológicas foi confirmado pela organização não-governamental (ONG) Grupo Brasileiro de Estudos do Câncer de Mama (GBECAM) em entrevistas com quase 5 mil pacientes de centros públicos e privados: apenas 5,6% das atendidas na rede pública tomavam a droga trastuzumabe; na rede privada, 56% usavam o medicamento.
No caso do câncer de mama, o SUS repassa R$ 571,00 para o tratamento de primeira linha, mas medicamento custa entre R$ 7 mil e R$ 8 mil e tem que ser usado por cerca de um ano. "Hospitais filantrópicos estão deixando de oferecer o tratamento em prol de manter o atendimento mínimo para toda a população", apontou Campos. A única opção para os carentes é recorrer à Justiça. "Mas, na maioria das vezes, eles não têm esse tempo."
Ainda assim, centros como o HCL, continuam dando esperança para milhares de pessoas. Somente em 2008, atendeu quase 20 mil pacientes de 219 municípios do País. Foram realizados mais de 1,1 milhão procedimentos e feitas 77,7 mil aplicações de radioterapia, mais de 23 mil doses de quimioterapia e 3,2 mil cirurgias. (L.A.)





