Avaliação sobre intoxicação não saiu
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sábado, 09 de dezembro de 2000
Israel Reinstein De Curitiba 
Até ontem, os funcionários com suspeita de intoxicação por bezeno, que trabalharam na retirada do óleo vazado na Refinaria Presidente Getúlio Vargas (Repar), em Araucária (Região Metropolitana de Curitiba), ainda não haviam recebido uma assistência adequada pelos órgãos de saúde e da previdência social.
Passados cinco meses do derramento de 4 milhões de litros de óleo, os nove serventes, que adoeceram quando recolhiam o produto, ainda não tinham os laudos que comprovariam ou não a contaminação por bezeno - componente químico que integra o petróleo. Sem esses documentos, nenhum pode requerer dispensa médica ou aposentadoria por invalidez.
Fui abandonado pela Petrobras, autoridades do Estado e da cidade. Agora estou trancado em um quarto, queixou-se Juraci Francisco da Silva. Com 30 anos, dos quais 15 se mantendo sozinho, hoje Juraci não consegue articular as pernas e braços e está imóvel em cima de uma cama.
Desde agosto, o laudo que iria identificar as causas de intoxicação dos nove funcionários está emperrado. O levantamento é feito no Centro Metropolitano de Saúde ao Trabalhador (Cesmat). Sem essa avaliação, fica difícil requerer a aposentadoria ou até processar a Petrobras ou a empresa terceirizada pela estatal, que fez com que as pessoas trabalhassem sem nenhuma proteção, disse o advogado do Sindicato dos Petroleiros do Paraná (Sindipetro), Sidnei Machado.
Apesar dessa deficiência, o advogado pretende processar a Petrobras e a Arauserv Limpeza Ltda, que contratou Juraci e também José Marcondes Portela, que está paralítico.
O processo está demorado e mostra um descaso com essas pessoas, reclamou o tesoureiro do Sindipetro, Jaime de Oliveira Ferreira. No Centro Metropolitano de Saúde ao Trabalhador, a justificativa para demora nos laudos é que está difícil juntar os prontuários médicos das nove pessoas e também realizar alguns exames específicos, pagos pelo Sistema Único de Saúde (SUS). No INSS, a assessoria de imprensa informou que até o momento não foi realiza a perícia médica nas pessoas, porque não foi feito protocolo. Na Petrobras, a Folha ligou no fim da tarde, mas não encontrou ninguém que se pronunciasse sobre o asusnto. E eu estou ficando aqui desamparado, reclamou Juraci Silva.


