Silvana Leão
De Londrina
Cerca de 300 professores de Londrina e região participaram ontem, no Teatro do Colégio Marista, em Londrina, de seminário sobre avaliação escolar, com a professora e psicóloga carioca Thereza Penna Firme. Contrária ao sistema de avaliação que prevê a reprovação do aluno, a educadora defende novos critérios para decidir o que é um bom aluno.
Ela apregoa que o professor deve estar preocupado com o crescimento do aluno. ‘‘O bom professor é aquele que tem o compromisso moral, ético e até espiritual com a formação de seu aluno. Ele deve se atualizar sempre e é um grande desrespeito quando não se dá esta oportunidade ao educador’’, disse.
Segundo Thereza Penna Firme, a prática não está acompanhando o desenvolvimento da teoria de avaliação e no Brasil ainda se reprova muito. O que pode ser desastroso, na opinião da professora. ‘‘A repetência causa desânimo, frustração, sentimento de inferioridade, de incapacidade, monotonia, tristeza pelo afastamento dos colegas e não melhora a aprendizagem.’’
Ex-colaboradora de dom Helder Câmara no desenvolvimento de programas sociais para populações marginalizadas, ela diz que em vez de simplesmente dar notas baixas e reprovar o aluno, o professor deve mostrar a ele suas dificuldades, de maneira suave e sem destruir sua auto-estima. ‘‘Diga tudo o que quiser ao aluno, mas lhe dê suporte, coloque suas mãos para ampará-lo’’, recomendou.
A educadora comparou a vida escolar a um caminho, onde às vezes é preciso mudar o rumo, fazer contornos, mas nunca voltar para trás. Quanto às notas, ela diz que poderiam até ser dispensadas, já que trata-se apenas de um juízo simbólico, uma explicação numérica de todo o juízo que já está feito. ‘‘Em alguns casos a nota até atrapalha’’, afirma.
Um dos dados apresentados é de que a cada mil crianças brasileiras que entram na escola, aproximadamente 300 terminam o ensino fundamental (8ª série) e destas, só 45 chegam ao final sem terem repetido de ano. A professora, que aposentou-se recentemente pela Universidade Federal do Rio de Janeiro e no momento atua como consultora e coordenadora do Centro de Avaliação da Fundação Cesgranrio, acha que o sistema educacional brasileiro está bem intencionado no que diz respeito à correção das falhas.
Porém, do alto de sua experiência de mais de 50 anos de magistério, ela avisa: a realidade só vai mudar quando os próprios professores se conscientizarem e melhor se capacitarem em planejamento, ensino, aprendizagem e avaliação. A educadora concorda que o desafio de encarar uma aprendizagem mais humana e criativa é grande.

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