Conhecida pelas universidades, que atraem população jovem e baladeira, Londrina tem tudo para aumentar a avalanche que justifica o nome da ''Bola de Neve Church'', a igreja evangélica mais descolada do Brasil. Presente em mais de 50 municípios brasileiros e em países como Peru, Austrália e Japão, o fenômeno pop religioso se insinuou entre os londrinenses há oito meses, quando meia dúzia de fiéis montaram uma ''célula''. Hoje, com sede própria inaugurada há apenas duas semanas, o grupo já chega a 80 pessoas.
A prancha de surf no lugar do púlpito é a marca da Bola de Neve. Sinaliza a origem da igreja, nascida entre surfistas do litoral de São Paulo, e a ruptura com dogmas estético-religiosos. O ambiente dos cultos pode vir decorado com grafites. Pastores e fiéis têm sinal verde para usar jeans, camisetas, bermudas, uniformes esportivos e quase toda sorte de streetwear. Tatuagens, piercings e dreadlocks são recebidos sem aquele olhar de reprovação a que os jovens estão acostumados. As músicas de louvor podem seguir a batida eletrônica, o compasso do reggae ou o peso do heavy metal.
''É uma visão evangelística, de trazer aquela pessoa que nunca colocaria os pés na igreja'', explica o líder da Bola de Neve em Londrina, Diogo Zampieri Rojas, 25 anos. Ele se apressa em dizer que na essência, contudo, a igreja prega ''sem tirar, nem pôr'' o Evangelho. Homossexualismo, sexo antes do casamento, consumo de álcool e drogas continuam sendo condenados.
Não são raros, aliás, os fiéis que relatam um passado repleto de práticas associadas à rebeldia e inconsequência juvenis - abandonadas por obra de Deus. O próprio fundador da igreja, Rinaldo Seixas, conhecido como pastor Rina, 35 anos, foi usuário de drogas pesadas. ''Despertado'' por uma hepatite grave, o surfista entrou para a igreja evangélica Renascer em Cristo no início dos anos 90 e, às vésperas da chegada do século 21, iniciou a Bola de Neve. Só não abandonou as ondas.
Há seis meses, o londrinense Renato Macedo, 23 anos, também teve sua conversão. E como prova de que os designíos divinos também se servem da modernidade, o ''chamado'' aconteceu na internet. ''Conheci a Bola de Neve através do site, depois de descobrir que o Rodolfo (ex-vocalista da banda Raimundos) fazia parte. Eu estava buscando Deus e achei uma igreja que era a minha cara'', recorda o estudante de Direito.
A partir dos encontros na célula da igreja em Londrina, Renato diz que mudou certas práticas. ''Parei de beber, procurei melhorar meu caráter. Meus ídolos eram pessoas do mundo, como o Rodolfo. Hoje meu modelo de vida é Jesus Cristo'', diz o universitário, que pretende em breve aplicar seu talento como DJ nos cultos.
Os jovens, claro, são maioria entre o séquito da Bola de Neve. O despojamento dos cultos atrai representantes de várias tribos, como hippies, rappers, clubbers, metaleiros, skatistas, surfistas, rastafaris e malhadões. Grande parte dos fiéis pertence à classe média. A igreja deixa claro, contudo, que está aberta a pessoas de todas as idades e classes sociais.
''A gente sempre vê os pais tentando levar os filhos para a igreja. Aqui acontece o contrário: os pais se surpreendem com a transformação dos filhos e querem conhecer a Bola de Neve'', comenta Renato. ''Eles também acabam curtindo a música, a dança. Nos cultos, até as pessoas mais velhas balançam a perninha.''
Serviço: As reuniões do Ministério Bola de Neve Londrina são realizadas todos os domingos, às 19h30, no Hotel Blue Tree Premium. Mais informações pelo telefone (43) 9941-2500 ou www.boladeneve.com

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