Avá-guarani são levados para reserva
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quinta-feira, 17 de abril de 1997
Antônio França Sucursal de Foz do Iguaçu 
MudançaComunidade se despede da área de 600 hectares do Refúgio Bela Vista, onde ficaram por 22 meses Os índios avá-guarani, acampados na reserva biológica da usina de Itaipu, em Foz do Iguaçu desde de junho de 95, serão transferidos hoje para a Fazenda Padroeira (cerca de 110 quilômetros de Foz), entre Diamante do Oeste e Ramilândia. Nos 1.700 hectares da fazenda, segundo o cacique Inocêncio Acosta, líder da comunidade, será possível manter a cultura indígena.
Os avá-guarani se despedem da área de 600 hectares do Refúgio Biológico Bela Vista, local onde ficaram por 22 meses. Apesar da necessidade, eles não devastaram nenhum centímetro da reserva, mas tiveram suas tradições comprometidas.
O refúgio foi invadido pela comunidade em protesto contra a indefinição da usina, que protelou por mais de 20 anos a doação de uma área em troca de suas terras inundadas pela formação do lago de Itaipu, em 1982.
Quatro ônibus e quatro caminhões levarão toda a mudança dos avá-guarani até a Fazenda Padroeira. No novo local já existem 11 moradias construídas pelos índios. A área foi escolhidas pela comunidade. Nós apenas verificamos se as terras ofereciam condições de atender as necessidades, diz o antropólogo Rubem Thomaz de Almeida, contratado pela Itaipu para avaliar a fazenda. Um dos principais fatores que contribuíram para a escolha foi a abundância de água.
Resistência A comunidade avá-guarani é marcada pela resistência. Em 82, quando a Itaipu formou o seu reservatório de água para impulsionar as turbinas, teve que retirar os índios de suas terras. O alagamento atingiu quase 1.700 hectares de área indígena.
Eles foram levados para a Ocoí-Jacutinga, em São Miguel do Iguaçu (a cerca de 45 quilômetros de Foz), uma reserva de 250 hectares, bem menor que a área atingida. Com pouco espaço, a cultura ficou comprometida e muitos índios se tornaram bóias-frias e outros morreram contaminados por agrotóxicos utilizados nas lavouras.


