Av. Higienópolis acumula problemas
PUBLICAÇÃO
domingo, 16 de novembro de 1997
Adriana De Cunto 
Londrina
Josoé de CarvalhoEsquina com Gomes Carneiro: ponto críticoQuando idealizou e abriu, em 1936, a avenida Higienópolis, o russo Eugênio Victor Larionoff pensava em uma via larga, diferente das ruas estreitas que Londrina possuía na época da colonização. Sessenta e um anos depois, a avenida ampla de outros tempos se transformou em uma das principais vias arteriais da Cidade que até julho deste ano tinha 26 mil motos e 148 mil carros e caminhões transitando por dia. Só no espaço da Higienópolis entre as avenidas Juscelino Kubitscheck e Madre Leônia Milito - trecho que sequer foi sonhado por Larionoff - trafegam diariamente 40 mil veículos.
O grande número de veículos naquele trecho ocorre, em parte, porque a Higienópolis é uma das principais vias de acesso ao Shopping Catuaí, localizado na Rodovia Celso Garcia Cid (PR-445). O shopping é o maior pólo de atração de veículos de toda o município, segundo o Instituto de Pesquisa e Planejamento Urbano de Londrina (Ippul).
Josoé de CarvalhoNa rua Riachuelo, canteiro pode ser fechado
Resultado disso é congestionamento nos horários de pico e finais de semana, tráfego confuso em alguns cruzamentos, alto índice de acidentes - a maioria sem gravidade - e pedestres com dificuldades para atravessar até mesmo em locais próximos aos semáforos.
Esta é a principal queixa das pessoas que precisam passar diariamente pelo cruzamento da rua Gomes Carneiro com Higienópolis. João Carlos Guimarães, 50 anos, proprietário da Padaria Holandesa, localizada nesta esquina, reivindica que o sinal para pedestre comece a funcionar o mais rápido possível. Na hora do rush é muito difícil atravessar a rua. Tem senhoras de idade, crianças que não conseguem, reclama. Ele conta que o poste para colocação do sinal para pedestre foi instalado há alguns meses e o equipamento eletrônico, há cerca de 20 dias. Eles deveriam colocá-lo em funcionamento logo, comenta.
Na opinião de Guimarães, se comparados ao grande número de carros que transitam diariamente pela avenida, os acidentes são poucos. O cruzamento com a Gomes Carneiro é considerado pela Companhia de Trânsito o ponto mais crítico da Higienópolis no trecho entre a JK e Madre Leônia Milito. Isso porque esta esquina vem se mantendo à frente na liderança dos índices de acidentes de 97. Em 96 foram 8 batidas e no período entre 1º de agosto e 1º de novembro deste ano já aconteceram cinco acidentes.
Segundo o soldado José Cláudio Gonçales, da Ciatran, os outros pontos críticos são as esquinas com JK e Bento Rodrigues Neto - cada um com três acidentes entre agosto e novembro. No restante deste trecho da Higienópolis ocorreram 18 acidentes. Conforme Gonçales, a maioria deles é de colisões sem gravidade. Não tem como desenvolver alta velocidade por causa dos semáforos.
Josoé de CarvalhoEsquina com a rua Montevidéu: o maior aperto
O porteiro do edifício Royal Park, Luciano Peres de Campos, 22 anos, diz que acontecem acidentes na avenida quase todos os dias. Às vezes são duas, três batidas por dia, afirma. Abre o sinal na outra quadra, os carros saem acelerando e uma quadra depois o sinal está fechado. Eles acabam batendo na traseira. O porteiro também percebe a dificuldade dos pedestres para atravessar a rua.
No cruzamento com a rua Montevidéu o problema é outro, diz Estaniel Silvan Correia, 34 anos, dono da Borracharia Estrela. Precisa ter um sinal ou uma lombada por aqui. Quem vem da Montevidéu para entrar na Higienópolis passa o maior aperto. Os carros saem da Madre Leônia e entram a Higienópolis correndo muito.
Os problemas da Higienópolis têm atraído a atenção da Prefeitura. O trecho da avenida Higienópolis entre a JK e a Madre Leônia Milito é o próximo alvo do Ippul. O diretor-presidente do Instituto, Mário Stamm Júnior, diz que a Prefeitura vai fazer mudanças naquele trecho logo depois que terminarem as obras no centro da Cidade (avenida Rio de Janeiro e rua Professor João Cândido).
O projeto não envolve grandes modificações estruturais, mas apenas algumas adequações. Segundo Stamm, o primeiro trabalho será feito no cruzamento da Higienópolis com Montevidéu. A contagem de veículos realizada pelo Ippul naquele ponto confirmou o que todos já sabiam: o tráfego é intenso e complicado.
A pesquisa foi realizada no dia 31 de outubro, entre as 17h45 e 18h45. No sentido Centro-Catuaí transitaram 1.387 carros, sendo que 275 motoristas entraram na Montevidéu. No sentido Catuaí-Centro, 853 veículos. Neste mesmo período, 176 carros chegaram à Higienópolis pela rua Montevidéu, vindos do Parque Guanabara.
Josoé de CarvalhoHumaitá com Higienópolis: verde-seta para UEL
A solução apontada para este cruzamento é a instalação de um semáforo eletrônico com baia de conversão à esquerda para os motoristas que sobem a Higienópolis.
Quanto aos pedestres que têm dificuldades de atravessar a avenida na esquina com a Gomes Carneiro, o Ippul tem uma boa notícia. Haverá uma readequação de posicionamento dos semáforos para antes do cruzamento. Também vai entrar em funcionamento o sinal de tempo para os pedestres (o equipamento ainda não foi acionado por problemas técnicos) e parte da guia será rebaixada para facilitar o acesso de deficientes e mães com carrinho de bebê.
O semáforo já existente na esquina da Higienópolis com Humaitá vai ganhar um verde-seta para quem sai da Higienópolis e quer virar a Humaitá para seguir em direção à Universidade Estadual de Londrina.
O Ippul também está estudando a possibilidade de fechar os canteiros nos cruzamentos da rua Riachuelo e Dulcídio Pereira. Mário Stamm Júnior explica que, neste último caso, o semáforo será remanejado para a rua Aminthas de Barros.
Veículos que descem a Higienópolis no sentido Catuaí-Centro não poderão virar à esquerda para pegar a rua Aminthas de Barros e seguir na direção da avenida Maringá. Nestes casos, eles deverão fazer o laço: entrar na Dulcídio Pereira, Rua da Lapa e seguir pela Henrique dos Santos.
Todas estas mudanças, segundo Stamm, vão assegurar maior fluidez do tráfego e segurança para o pedestre. O projeto, lembra o diretor-presidente do Ippul, será complementado com a colocação de radares e fiscalização intensificada.
O Ippul calcula que 25 mil pessoas moram nos bairros próximos da Higienópolis, entre JK e Madre Leônia Milito. A Higienopólis é utilizada por esta população além de ligar os moradores de outros bairros à região do shopping.
Mário Stamm anuncia que estudos técnicos já estão sendo realizados visando mudanças também na rua Maringá e avenida Tiradentes (entre Maringá e Arthur Thomas). O diretor operacional do Ippull, Juan Monastério, adianta que será instalado um semáforo na avenida Tiradentes com a rua Bauru.


