Policial civil em Londrina, a partir da próxima semana, não vai mais cuidar de presos. Ontem, 20 auxiliares de carceragem começaram a trabalhar nos quatro distritos policiais (DPs) da cidade em substituição aos 16 investigadores que exerciam irregularmente a função. A chefia da 10 Subdivisão Policial (SDP) também adiantou que até o final do ano, com a inauguração da Casa de Custódia de Londrina (CCL). devem ser desativadas as carceragens do 3º, 4º e 5º DPs.
Em todo o Paraná, foram contratados 200 agentes de carceragens pelo período de um ano. Londrina recebeu 10% do total, por se tratar da maior cidade do interior. Todos os 20 novos agentes incluindo duas mulheres já têm experiência no sistema prisional, uma vez que exerciam função semelhante na CCL. Nestes primeiros dias, eles passarão por um período de adaptação à nova rotina de trabalho junto com os investigadores. A partir da próxima semana, já começam a lidar sozinhos com os presos, revistas pessoais em visitantes e atendimento a advogados.
O delegado-chefe da 10 Subdivisão Policial, Sérgio Luis Barroso, considerou um avanço a contratação dos auxiliares por duas razões principais: o trabalho dos policiais poderá ser otimizado, já que não vão mais precisar cuidar de presos; e a segurança nos DPs deve aumentar, porque os novos servidores são bastante qualificados para a função. ''Daqui a alguns dias já poderemos utilizar os investigadores que estavam nos distritos para reforçar as equipes da Homicídios, Furtos e Roubos e Antitóxicos. Outros irão formar equipes de investigação nos próprios distritos'', assegurou Barroso. Hoje, os DPs praticamente não desenvolvem investigação porque os policiais são desviados para o trabalho nas carceragens.
Barroso adiantou que a partir de setembro, com a inauguração do Centro de Detenção e Ressocialização, ele vai tentar desativar as cadeias do 3º (feminina), 4º e 5º DPs e concentrar todo o trabalho apenas no 2º DP, com a abertura de mais 84 vagas. ''A intenção é transformar o 2º distrito em centro de triagem e carceragem feminina'', destacou. A medida já contaria com a simpatia da Secretaria Estadual de Segurança Pública. Hoje, os quatro distritos têm capacidade para 208 presos mas abrigam mais de 500.
Só no 2º DP, eram ontem 269 presos num espaço construído para 124. É essa realidade que passará a fazer parte do dia a dia do auxiliar José (nome fictício), 43 anos. Ele disse que os cinco anos de experiência no sistema penitenciário podem ajudá-lo no novo desafio. ''Nosso trabalho já era cuidar de preso e aqui não será diferente. Pretendemos somar com o pessoal que já está nos DPs'', analisou. O auxiliar lembrou ainda que boa parte dos presos já passou pela CCL e já estaria ''familiarizada'' com os novos servidores.
Ana (nome fictício), 37 anos, também tem boas expectativas. Ela trabalhou cinco anos na CCL e analisou que como auxiliar de carceragem tentará juntar experiência com responsabilidade. Nos DPs, ela vai ser responsável em revistar as visitantes. ''Tenho que colocar na frente de tudo que posso colocar em risco a vida de meus companheiros e dos próprios presos'', afirmou, pontuando que muitos dos objetos que chegam aos presos são levados por visitantes.

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