Maurício Gomes Martins, 59 anos, atua como auxiliar de necropsia há 25 anos no Instituto Médico Legal (IML) de Londrina e garante que foi Deus quem o colocou na profissão. Santina Aparecida da Silva, 42 anos, começou fazendo limpeza há quatro anos (''tinha um medo danado de entrar no necrotério'') e hoje também atua em necropsias. Daniel Janez Martins, 24 anos, entrou como motorista há três meses e também está sendo treinado para auxiliar o médico legista. Os três, ao contrário do que poderia parecer, aprenderam a dar mais valor à vida.
''Cheguei no IML procurando emprego e me puseram para dentro. Acho que fui colocado por Deus e estou no lugar certo'', valoriza Maurício. Ele diz que quando iniciou na profissão há quase três décadas, a maioria das vítimas era acidentado. Hoje, são os mortos por armas de fogo. ''Antigamente, figurativamente, levava o cadáver para casa'', aponta, completando que já teve de enfrentar tarefas difíceis como necropsiar amigos seus. ''Isso é duro'', lamenta Maurício, que já passou por um leito de UTI e pediu a Deus para não morrer.
Depois de perder o medo do necrotério, Santina diz que aprendeu a gostar do que faz, mas ainda tem receio quando segue até um local de morte. ''Não é por acaso que a gente está aqui'', avalia. Avó, ela admite que os casos envolvendo crianças lhe causam maior tristeza. A auxiliar explica que o trabalho de necrópsia consome, no mínimo, duas horas de trabalho sobre o cadáver.
Daniel recorda que na juventude não ia nem em velório e que o primeiro caso que atendeu sentiu uma sensação estranha. ''É alguém igual a você que está ali'', justifica. Acumulando também a função de motorista, ele se diverte quando passa com o ''rabecão'' pela rua e as pessoas se benzem. Os três apontam que o interessado em atuar na área, além da necessidade do emprego, precisa ter coragem e estômago bom.

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