A Justiça autorizou o pedido de quebra do sigilo telefônico de todas as pessoas citadas durante o depoimento do desempregado Edson Faria, de 19 anos, assassino confesso do empresário Miguel Siqueira Donha, 51 anos, diretor da Corretora de Seguros Banestado e presidente do diretório municipal do PPS em Almirante Tamandaré, Região Metropolitana de Curitiba. A informação é do promotor Paulo Kessler, da Promotoria de Investigações Criminais (PIC). Ele não quis revelar os nomes de todos os supostos envolvidos no crime, apenas confirmou que um deles é o guardião Antônio Martins Vidal, o ‘‘Tico’’, apontado como o mandante do assassinato.
Na entrevista que deu à imprensa, pouco antes de ser encaminhado para o Ministério Público, Faria citou os nomes da delegada Delair Manfron (que foi afastada da Delegacia de Almirante Tamandaré na semana passada) e do funcionário público Azemir de Barros (irmão do prefeito). Segundo ele, estas pessoas teriam dado garantias de que ele receberia – se fizesse o serviço – R$ 300,00 prometidos e um cargo na Prefeitura Municipal de Almirante Tamandaré. De acordo com ele, os dois eram amigos pessoais do ‘‘Tico’’.
‘‘Se a versão do assassino for verdadeira, várias ligações foram feitas da casa do Tico. Queremos verificar isto e comparar os horários’’, afirmou Kessler. O Ministério Público aguarda para a semana que vem os resultados da quebra do sigilo telefônico dos acusados. ‘‘Esta semana estamos mais empenhados na apuração de provas para a CPI do Narcotráfico, mas a semana que vem estaremos atuando com mais rigor’’, explicou ele.
O pedido de prisão preventiva de Tico está sendo analisado na comarca de Rio Branco do Sul. O caso foi remetido para a comarca porque Donha morreu em Itaperuçu, município que pertence judicialmente a Rio Branco do Sul. O promotor do município, que será o responsável pelo oferecimento de denúncia, Salvari José Dias Mancio, disse ontem que ainda não leu o inquérito policial da Delegacia de Homicídios. (L.P.)